Como o Estado pode atrapalhar o consumidor. Ou: o governo ajuda em não atrapalhar

(Fonte da imagem: Nani)
Boa tarde pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para publicar um artigo, elaborado por Luan Sperandio, estudante de Direito da UFES, sobre o papel do Estado no ambiente de negócios. Ele, que já teve a oportunidade de colaborar com este blog com uma reflexão sobre o Marco Civil da Internet (clique aqui), trouxe alguns pontos relevantes para pensarmos no quanto o governo atrapalha não só boa parte dos empresários, como também dos próprios consumidores. Segue abaixo a versão completa (uma versão resumida você pode encontrar no Instituto Liberal):

"Luíza, estudante de ensino médio, percebeu um mercado em sua escola e, com iniciativa e empreendedorismo, iniciou um pequeno negócio: vendia bombons a seus colegas no intervalo.

Havia ainda na escola uma cantina, que vendia outros itens, inclusive bombons. Parte dos estudantes ainda comprava ali, todavia os bombons de Luíza passaram a incomodar.

A dona da cantina levou a reclamação à direção da escola; e, por sua vez, proibiu o empreendimento de Luíza.

Percebam que esse retrato, real, é a ocorrência micro de um fenômeno macro: as empresas brasileiras, perante um mercado externo mais competitivo, ao invés de investirem em inovação, buscarem maior produtividade e, por conseguinte, se tornarem mais competitivas no mercado, preferem investir em lobby junto ao governo no intuito de mitigar a concorrência, aumentando os tributos das importações, gerando mais protecionismo com o jurássico argumento de “defesa da indústria nacional”.

E os consumidores? Os estudantes da escola de Luíza foram prejudicados: com menos concorrência, agora tem de pagar mais caro na cantina se quiserem consumir o mesmo produto. O mesmo ocorre com os brasileiros no fenômeno macro, a diferença é que no estabelecimento de ensino foram algumas centenas de alunos, no Brasil são milhões de pessoas.

Esse panorama é conflituoso com as idéias de The constitution of liberty, do vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 1974 Friedrich Hayek. No livro, o austríaco defende veementemente a ação governamental somente para manter o funcionamento espontâneo do mercado e os resultados benéficos disso: ou seja, nem é preciso dizer que os políticos brasileiros não leram Hayek.

Por fim, o protecionismo é um dos fatores ensejadores do quadro atual em que os brasileiros pagam bem mais caro nos produtos e bens. Insta salientar que o Estado pode ajudar muito não atrapalhando, tendo um governo comprometido com o empreendedorismo, eliminando a burocracia e regulamentações, simplificando a legislação, estimulando a competição e investimentos, bem como reduzindo impostos - inclusive de importações. Os consumidores, com toda certeza, agradecem."

Confira também:

"O emprego e as importações" (post de Alex Zanetti)

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