Os botões que podem salvar - ou condenar - o país

(Fonte da imagem: R7)
Boa tarde pessoal. Hoje faltam apenas sete dias para que tenhamos a oportunidade (ou melhor, a obrigação) de apertar alguns botões que podem decidir o futuro de nosso país, ou nem tanto. E, na mesma balada dos textos do meu colega de bancada Luan Sperandio (ver aqui) e do colunista político do jornal A Gazeta Gabriel Tebaldi (ver aqui), vou deixar aqui minha breve opinião sobre os desdobramentos do rally presidencial, bem como seus possíveis desdobramentos.

Estas eleições, a meu ver as mais decisivas em 25 anos, tiveram reviravoltas que, mesmo em um cenário post mortem de Eduardo Campos, seriam pouco imagináveis (confesso que quando escrevi minhas observações sobre a ascensão de Marina Silva - ver aqui, aqui e aqui - também não imaginava que a situação chegaria ao patamar que está hoje) para os leitores deste blog. Saímos da iminência de ver Dilma vencedora no primeiro turno, passamos à esperança de um segundo turno entre esta e Aécio Neves - com o tucano como vencedor ao final de tudo, pela ascensão de Marina Silva e a possibilidade de vitória ainda no primeiro turno - com a certeza desta no segundo e, por fim, pela desidratação da candidatura da socialista e ascensão da petista (esta voltando a ter chances de vencer em primeiro turno) e do tucano (que somente agora reagiu).

Diante disso, e bom que eu deixe claro alguns posicionamentos sobre o assunto: o primeiro deles é que, diferente de alguns tucanos que se animaram diante da "ressurreição" de Aécio na reta final, continuo não vendo chances de ele estar em um segundo turno. Primeiro, porque demorou muito para entender que a ascensão de Marina Silva não era - necessariamente - um fenômeno passageiro. E segundo, porque quando resolveu bater em Marina, isso quando a Dilma já a atacava, resolveu focar os ataques à socialista, deixando um pouco de lado o confronto com a petista. O resultado ficou evidente nas pesquisas: Aécio até cresceu, mas Dilma cresceu muito mais, inclusive retomando a possibilidade de vitória em primeiro turno. Sim, se Dilma vencer já no dia 05/10, o maior responsável pela vitória será Aécio. A propósito, não votarei em nenhum dos três principais players - inclusive no Aécio - e sim no Pastor Everaldo (PSC). Pelo menos tem o melhor "conjunto da obra" em termos ideológicos, apesar de que o vejo como as ideias certas defendidas pela pessoa errada.

O segundo, causa ou consequência do primeiro (tanto faz), é o porquê de eu ter desistido de votar em Aécio (sim, cheguei a considerar a hipótese de votar nele, ainda que não represente nem de longe meus pontos de vista): além dos graves erros de estratégia em sua campanha, o tucano demonstra uma pusilanimidade na crítica a seus adversários (se bem que há pelo menos dez anos isso é padrão no PSDB, como mostra a entrevista de FHC ao El País, que comentei aqui). Não há como ajudar um candidato que, acima de tudo, é incapaz de ajudar a si próprio.

Por fim, o terceiro ponto é que, independente de quem vença o certame no final de outubro (isso se tiver segundo turno), a situação do país para o final deste ano, bem como o ano que vem, será a mais difícil desde 2002. A questão é saber o quanto pode ser difícil, bem como a capacidade do sucessor - ou mesmo de Dilma, caso seja reeleita - de fazer ajustes nos rumos do país, muito embora caso a petista os faça será mais por questão de necessidade do que de convicção.

Resumindo: estamos a uma semana de uma roleta-russa. Resta saber se será com um revólver com uma bala no tambor, um revólver com cinco balas no tambor ou ainda com uma pistola automática.

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