Você ou seus pais conhecem seus amigos?

(Fonte da imagem: Gazeta Online)
Boa noite pessoal. Alguns de vocês, leitores deste blog, devem ter reparado que desde o início deste ano estou abordando mais questões comportamentais em minhas postagens. Não que eu tenha abandonado os temas políticos e econômicos, até porque tenho feito uma cobertura razoável dos mesmos na medida do possível (lembrando que devido ao estágio não tenho mais as manhãs livres, e só estou podendo postar com mais frequência por conta das férias da faculdade, que terminam nesta semana), mas vejo o nosso modo de agir como base para que possamos desempenhar melhor as demais áreas de nossa vida.

Digressões filosóficas à parte, o post de hoje é para falar do caso que chocou o Espírito Santo (estado onde moro) neste último final de semana: a morte do soldado do Batalhão de Missões Especiais (BME) da PMES Dayclon Nascimento Feu, alvejado na cabeça durante uma patrulha de rotina (ver aqui). Mais precisamente, sobre a entrevista com a mãe do menor de idade envolvido no caso (sim, quem esteve envolvido no crime foi um menor, e sim, em pouco tempo estará solto, infelizmente), publicada no portal Gazeta Online (ver aqui). Ela, que não quis ser identificada por razões de segurança, expressou sua tristeza e dor pelo fato de seu filho estar entre os assassinos (o que é compreensível, mas não mais comovente que a dor da família do agente da lei e da ordem que se perdeu) e fez algumas declarações que as utilizarei como foco para algumas reflexões neste post. Segue abaixo o trecho:

"O que a senhora acha que aconteceu para o seu filho cometer o crime que resultou na morte do policial militar?

Meu filho nunca teve passagem pela polícia. É a primeira vez. E nunca mexeu com drogas. Depois que veio morar comigo estava até estudando. Só que começou a andar com más companhias.

Antes de morar com a senhora, onde ele estava?

Ele trabalhava em um curral de Viana, tirando leite, e morava na casa do patrão dele. Até que um dia, esse patrão, que é meu colega, ligou e disse que já não podia mais ficar com meu filho, pois ele estava aprontando. Aí o Conselho Tutelar mandou ele morar comigo. Eu o coloquei para estudar, mas ele se envolveu com gente errada.

A senhora acredita que essas pessoas o levaram para esse caminho?

Sim, lá em Padre Gabriel. Eu matriculei ele na escola em Vila Bethânia, ele pegava o ônibus todos os dias e ia estudar. Ia direto quando estava morando comigo. Ele chegava em casa por volta de 18h, jantava e já ia deitar. Ficava quieto em casa. Mas, depois que se juntou com esses amigos, entrou nesse caminho. Má companhia. Quantas vezes falei com ele para não fazer correria para os outros.

Como assim “fazer correria”?

Ele nunca trabalhou em boca. Mas o pessoal dava o dinheiro para ele ir na boca de fumo e comprar a droga. Uma pedra, duas. Fazia aviãozinho para os outros em Padre Gabriel. Começou há pouco tempo. Eu falava com ele para não fazer isso. Ele comprava maconha, colocava no ônibus e levava. Era maconha, pó e, nesse meio, ele começou a usar maconha. E quem usa isso, usa tudo. Fuma pedra, cheira cocaína, bebe. Faz de tudo."

Deste trecho da entrevista é possível tirar, pelo menos, duas reflexões. A primeira delas: você conhece seus amigos? Ou se você for pai ou mãe, conhece os amigos de seus filhos? É claro que em tempos de tecnologia e redes sociais tal tarefa é muito mais difícil se comparada a dez anos antes, mas pelo menos saber e, se possível, trazer esses amigos para uma conversa pode dar uma ideia das companhias. E claro, evitar problemas o quanto antes.

A segunda reflexão é que, novamente, falta pulso firme e autoridade aos pais (o que não é novidade, e o caso do garoto atacado pelo tigre não me deixa mentir). Cadê a interferência da mãe na situação? Em um caso desses não dá para só falar, era necessário agir (tudo bem, dar palmadas neste caso não é mais possível, o jeito neste caso seria tirar o filho de lá e mandar para um lugar mais calmo). Mas isso não aconteceu. E o que chama a atenção é que a mãe diz que o filho não trabalhava em boca, mas ia até lá para comprar e levar a droga para outros. Como se isso fosse menos culpável...

Enfim, como disse antes, lamento pela mãe por conta de seu filho ter entrado em uma encrenca na qual dificilmente terá volta. Mas lamento mais ainda que pela família do policial que morreu baleado. Simples assim, evidente assim.

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