Aos vencedores, as batatas...E aos perdedores, as batatadas (ou não)

(Fonte da imagem: G1)
Boa noite pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para falar de minhas primeiras impressões sobre o resultado do primeiro turno das eleições, tanto na disputa presidencial como nos demais certames (Senado, Câmara e Governos dos Estados), bem como minhas expectativas para o segundo turno e para as primeiras ações de alguns dos eleitos para o próximo ano.

Primeiramente, digo que fico feliz - e, ao mesmo tempo, preocupado - com o fato de que Aécio Neves conseguiu virar e conseguir entrar na disputa do segundo turno com a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff, sendo que a diferença entre os dois postulantes é consideravelmente menor em relação ao esperado nas pesquisas eleitorais. Feliz porque vejo no tucano uma capacidade de articulação política e de formação de um time de governo superior em relação à Marina Silva, que terminou na terceira colocação. E preocupado, uma vez que diferente do caso de um hipotético segundo turno entre as candidatas do PT e do PSB, em que haveria uma transferência quase automática de votos, as chances de vitória de Aécio dependem, de certa forma, de um apoio providencial da candidata socialista (que é bem provável). Além disso, o tucano terá que definitivamente colocar o bom-mocismo e a elegância de lado. Não estamos falando de disputa de cavalheiros e um pouco de malícia será necessário para lidar com alguém que tem a máquina ao seu dispor.

Em segundo lugar, também digo que no final das contas fiquei satisfeito com alguns resultados não só aqui no estado onde moro, o Espírito Santo, como também em outros estados. Aqui, Paulo Hartung derrotou Renato Casagrande, o que a meu ver foi muito bom, uma vez que serviu de castigo pela pedância demonstrada em sua campanha eleitoral e por ter renegado o fato de que boa parte dos bons números que ele apresentou se devem às boas práticas de gestão implementadas pelo ex-governador, agora governador eleito. Também vejo com satisfação o fato de Rose de Freitas ter vencido a disputa pelo Senado, não porque eu goste de sua atuação como deputada, mas pelo fato de que nem João Coser nem Neucimar Fraga tiveram a oportunidade de receber um "prêmio de consolação" pelas gestões atrapalhadas em Vitória e Vila Velha, respectivamente. 

Em outros estados, faço menções honrosas (tá bom, forcei a barra aqui) a Geraldo Alckmin, governador reeleito por São Paulo e José Serra, senador eleito por São Paulo. Não que eu defenda a forma como ele lidou com a crise hídrica ou em relação a outros temas espinhosos (como o cartel do metrô), mas o "terrorismo" criado em torno disso - e criado justamente por aqueles que reclamam do "terrorismo econômico" em nível nacional - foi vencido. Boa sorte ao picolé de chuchu e espero que ele possa tratar o Cantareira como prioridade nessa transição para o segundo mandato. Cabe lembrar que por mais que o atual governador paulista tenha falhado na contingência nesta questão, a seca ocorrida na região foi sem precedentes. E cabe dizer ainda que o ES só não está com o brioco na mão em relação à água por causa da "sorte" tida com as chuvas de dezembro do ano passado. Quanto ao Serra, comemoro nem tanto por ele, mas pelo fato de que Eduardo Suplicy, senador petista, poderá fazer suas cantorias em outro lugar, sem gastar dinheiro nosso (por meio de seu gordo salário) para isso. Também não posso deixar de fazer menções honrosas à eleição dos membros do "clã Bolsonaro": Jair (o deputado federal mais votado no RJ), Eduardo (eleito deputado federal por SP) e Flavio (eleito deputado estadual no RJ). Mesmo que eu não concorde em totalidade com suas ideias ou mesmo pela forma como as defende, é necessário que se tenha que tirar o chapéu para o patriarca da família. Ele é um dos poucos que possuem um discurso frontal em oposição ao PT.

Também vejo positivamente o fato de que o Congresso tenha adquirido uma feição mais "conservadora" (clique aqui). Mesmo considerando que o nosso "conservadorismo" seja um tanto caricato e estatista, isso pode significar que pautas mais "progressistas" (censura regulação da imprensa e desmilitarização da polícia, por exemplo) terão sérias dificuldades em avançar. O que a meu ver, é muito bom.

Enfim, estas são minhas primeiras impressões sobre o dia de ontem. Em uma outra oportunidade, talvez ainda esta semana, irei comentar com mais calma sobre o segundo turno entre Dilma e Aécio.

Até a próxima.

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