Armínio Fraga ou Aloízio Mercadante: vocês ainda têm dúvida?

(Fonte da imagem: Estadão/Veja)

Boa noite pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para fazer um breve "comparativo" entre os dois candidatos à Ministro da Fazenda, caso Aécio Neves ou Dilma Rousseff ganhem o segundo turno das eleições, respectivamente: Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo de FHC, e Aloízio Mercadante, atual ministro da Casa Civil e ex-ministro de Ciência e Tecnologia no governo Dilma, além de ter sido deputado federal por dois mandatos e senador. "Comparativo", porque não irei me aprofundar muito em traçar um paralelo entre os "ministeriáveis".

Antes de compará-los cabe um lembrete aos leitores do meu blog: não, não sou um entusiasta de Armínio Fraga. Exatamente isso que vocês leram. Mesmo não sendo segredo nenhum que irei votar em Aécio Neves no segundo turno das eleições, não nutro muita simpatia pelo possível Ministro da Fazenda pelo candidato tucano. Primeiramente pelo simples fato de sua passagem no BC ser marcada por controvérsias, o que faz com que a candidatura do mineiro ganhe um telhado de vidro no campo econômico. Um nome que tenha boa reputação mas que fosse "inatacável" para os adversários seria melhor nesse sentido. Segundo, as possíveis ações dele caso assuma o cargo, sobretudo nas políticas fiscal e monetária (confira aqui) me dão a entender que ele será pouco agressivo (pelo menos não será tão agressivo como os petistas ou mesmo tucanos imaginam). Na questão dos juros, por exemplo, ele considera não ser necessário elevar a Selic para controlar a inflação, sendo que discordo neste ponto, pelo fato de que existe uma necessidade de se corrigir as duas movimentações temerárias da taxa básica durante o governo Dilma: a primeira foi a redução temerária ocorrida em 2011 (mesmo com a inflação ultrapassando o teto da meta em 1 p.p.) e a segunda foi a demora no reajuste em 2013 (com o índice de preços rondando perigosamente o teto da meta). Acredito eu que a Selic atual está de 5 p.p. a 6 p.p. abaixo do patamar que realmente deveria estar. Sem falar que o ritmo de alta foi muito lento, o que deu a entender para os mercados que o governo tolera uma inflação maior. E, finalmente, terceiro, por que apesar de ser um especialista da área econômica acima da média (para os padrões brasileiros), considero o Eduardo Gianetti (conselheiro econômico da ex-candidata Marina Silva) ou mesmo Henrique Meirelles (presidente do BC no governo Lula) com um perfil melhor, com a vantagem de serem quase inatacáveis.


"Tá vendo? O reaça admitiu que um presidente do BC do governo Lula é melhor que Armínio Fraga!". Não governistas, não se empolguem tanto. Primeiro, antes de assumir a vaga, ele foi eleito deputado federal pelo, pasmem, PSDB (inclusive foi o mais votado do estado de Goiás). Segundo, porque ele não mexeu praticamente nada na política econômica adotada pelo antecessor (sobretudo no combate à inflação, no qual conseguiu ser mais severo). E por fim, tal como Fraga, Meirelles atuou no mercado financeiro antes de assumir a autoridade monetária (um perfil que muitos militantes petistas provavelmente detestam). Resumindo: a melhor parte da política econômica lulista foi conduzida por um...Ex-tucano.

Pausas para divagações à parte, a passagem de Armínio Fraga pelo Banco Central teve seus altos e baixos (a matéria da BBC Brasil fala sobre isso com mais calma, e você pode conferir aqui). Por um lado, ele ajudou a arquitetar o regime de metas de inflação, evitando a implosão do real, que em 1999 (quando assumiu o comando da autoridade monetária) tinha apenas cinco anos e estava sendo colocado em xeque após a rápida desvalorização ocorrida pela adoção do câmbio flutuante (que foi um tanto tardia, o que vejo como uma das falhas de FHC na economia). Porém algumas medidas foram - apesar de necessárias - impopulares, o que trouxe efeitos sociais negativos na época. Sem falar nas controvérsias quanto às medidas (ou a falta delas) tomadas durante a crise cambial de 2002, quando o dólar chegou a R$ 4,00 e a inflação, a 12% (muito embora o temor pela eleição de Lula ajudou a alimentar o "incêndio"). Enfim, Fraga, a meu ver é ao mesmo tempo médico e monstro. Depende de quem vê e de como ele vai se comportar diante do cenário econômico.

Já Mercadante, um dos cotados para entrar no lugar de Guido Mantega em um eventual segundo mandato de Dilma (ver aqui e aqui)...Bem...Vejam o vídeo aqui e tirem suas conclusões (ver do início a 2:17):


Bem, entre quem pelo menos tentou evitar a implosão do Real e arquitetou um regime de metas de inflação que existe até hoje e outro que aplaudiu entusiasticamente medidas econômicas que dão errado há milênios (ver ainda aqui) - como o controle de preços, quem vocês preferem? Alguma dúvida ainda?

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