Do apocalipse ao circo

Como seria o Brasil com Aécio Neves presidente, se este fosse eleito. Pelo menos na cabeça dos petistas... (Fonte da imagem: Divulgação/Facebook)
A imagem acima mostra o que seria do Brasil caso Aécio Neves, candidato à Presidência da República pelo PSDB, fosse eleito. Graças às medidas de austeridade que seriam impostas a partir de 1° de janeiro de 2015, sob a batuta do gênio do mal da economia e nas horas vagas Ministro da Fazenda Armínio Fraga, os juros iriam subir, o desemprego iria disparar, a economia entraria em recessão e milhões de brasileiros ficariam sem carro, sem casa, e até mesmo sem um pãozinho para comer nas refeições diárias. É muito provável que ao final dessas medidas impopulares morreria mais gente que no Holocausto, Holodomor, Grande Salto para Frente e o massacre armênio somados. Ah, quem não morresse de fome acabaria sendo morto pela polícia, a instituição mais racista, fascista e autoritária que existe na humanidade (Dexter intensifies, e não estou falando daquele nerd do desenho animado), já que a população acabaria se revoltando contra os males que o neoliberalismo tucano promoveria ao nosso país. Muitos exageros à parte, seria esse o quadro pintado por alguém que votou em Dilma Rousseff sobre as propostas de Aécio Neves, sobretudo na área econômica. Mas felizmente a mãe do povo brasileiro foi eleita e o plano de se criar um motoperpétuo em nosso país regado a crédito infinito e programas sociais finalmente vai dar certo...Só que não.

Após praticamente três meses contestando a necessidade de ajustes e demonizando as propostas de seus adversários sobre a economia, tratando-as como um verdadeiro "apocalipse neoliberal", Dilma finalmente teve que ceder à realidade e deixou o discurso contra as "zelites" cair praticamente um dia após as eleições. Dá para fazer um checklist do que rolou até agora nesta semana:
  1. Na propaganda petista, falava-se que racionamento de energia era "coisa de tucano". Pois bem, existe risco real de enfrentarmos isso em 2015. Com Dilma.
  2. Em comício do PT em Belo Horizonte, Lula atacou imprensa e bancos. Mas entre os candidatos à pasta da Fazenda, tem o Luiz Carlos Trabuco (ex-presidente do Bradesco), Rossano Maranhão (banqueiro) e Henrique Meirelles (ex-executivo financeiro e ex-presidente do BC). Afinal, o coração valente contra o mercado não é tão valente assim (e que bom que não é).
  3. Dilma descartava "tarifaço" tanto na energia como nos combustíveis. Descartava. O tarifaço já está rolando, e será ainda maior daqui para frente na conta de luz (o pessoal da Região Norte que o diga). Quanto aos combustíveis, vai ter reajuste sim (e se reclamar...).
  4. Dilma dizia que os tucanos plantavam inflação para colher juros. Ela plantou inflação nestes últimos quatro anos. Vai colher...Juros! E se depender do FED norte-americano poderá colher ainda mais (cenas dos próximos capítulos).
  5. Por fim, Dilma dizia que o país não precisava de ajuste fiscal profundo. Mas vai precisar sim. E será "violentíssimo".
Enfim, passaram-se pouco mais de 96 horas do resultado das eleições (que o PSDB finalmente deu sinais que vai questionar), não deu tempo sequer para os eleitores felizes com a vitória de Dilma (sobretudo aqueles que compraram o discurso anti-neoliberal) tirarem os adesivos de seus carros e a presidente (ou presidenta, como queiram chamar) fez simplesmente o CONTRÁRIO do que defendeu em sua campanha eleitoral. Praticamente o que ela falou que os adversários fariam caso estes vencessem a eleição. Se ela resolver levar a sério os ajustes que foram ensaiados nesta semana, quem votou na Dilma pelo discurso econômico pode ter quebrado a cara. Lindamente.

E antes que alguém pergunte, digo o seguinte: não, não estou criticando as ações tomadas no governo Dilma no week after, que fique bem claro. Diga-se de passagem, tais ajustes são o mínimo que ela deve fazer, caso queira ter um país minimamente governável e esteja disposta a entregar as "bondades sociais" que ela prometeu (não preciso dizer que o discurso de antagonismo entre economia e social é falacioso, ou preciso?), além de que acredito na ação da presidente muito mais por uma questão choque de realidade (tal como nas concessões no setor de infraestrutura) do que realmente de convicção. A minha crítica vai tanto para ela por ter combatido tanto isso em sua campanha como para as pessoas que abraçaram a "outra via" econômica de nossa presidente.

Enfim, Dilma faz um bem ao país quando simplesmente deixa de agir como Dilma. E os ares apocalípticos parecem dar lugar a ares circenses. E certamente não sou eu o palhaço dessa história...


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