Política, eleições e ética

“Campanha eleitoral é guerra. Política é outra coisa.”

(Fonte da imagem: Divulgação)

Pode-se definir política como uma conversa com oposições de ideias buscando aperfeiçoá-las em prol de um bem comum. Entrementes, durante a campanha eleitoral nem sempre vemos isso, o que lamentavelmente corrobora para o empobrecimento do debate de temáticas que poderiam contribuir para a progressão do país.

Como defende o jurista Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, ter princípios não quer dizer que os mesmos vão ser seguidos. Nesse sentido, é notável durante as eleições o esquecimento desses.

É notório, igualmente, que durante a campanha a ética é pautada pelos resultados. Isso ocorre porque o eleitorado brasileiro é muitas vezes conivente com difamações entre candidatos e terrorismo eleitoral. Infelizmente, em detrimento a valorização da cooperação entre os mesmos na formulação de um debate produtivo.

O eleitorado é muito mais emocional que racional. Então os marqueteiros provocam esses sentimentos nos eleitores e quando os resultados são favoráveis nas pesquisas, eles intensificam as suas ações.

Isso é comum em debates puramente pelo poder e não ideológicos. Como bem disse outrora um presidenciável, “sou adversário das suas ideias, mas não posso fazer nada que o fira nem que o diminua como pessoa”. Isso é destoante da oratória encontrada na maioria de nossos candidatos.

Em contrapartida, vemos o TSE e o TRE, em tese órgãos fiscalizadores do devido processo eleitoral, mais preocupados com eleitores que tiravam selfie nas urnas, ao invés de conter de forma efetiva a desonestidade intelectual encontrada nas campanhas.

Exemplo disso foi uma presidenciável defendendo que o maior controle a inflação promovido por um Banco Central com autonomia gerará desemprego. Ora, a Curva de Phillips, que alegava que maior taxa de desemprego leva a consequente diminuição de inflação, foi refutada por Milton Friedman e Edmund Phelps nos anos 70. Ou seja, temos uma candidata a presidente que defende uma teoria econômica superada há mais de 40 anos!

Isso seria incompetência técnica ou má-fé? Cabe ao eleitorado decidir, entretanto é compreensível que nem sempre haverá no eleitor médio, leigo em economia, discernimento na questão, podendo acreditar na argumentação proposta, mesmo que esta seja comprovadamente falsa.

Pior: a guerra eleitoral muitas vezes transcende a campanha eleitoral. Ela pode se manter no legislativo num panorama em que um partido de oposição vote em bloco contra propostas que seriam benéficas a população, somente para prejudicar a situação e aumentar as chances de vitória nas próximas eleições.

Em ambas as situações percebe-se que o interesse não é no desenvolvimento da sociedade, mas tão somente ser alçado ou manter-se no poder. Esquecer os princípios éticos pode fazer com que o candidato atire até mesmo em adversários políticos de mesma raiz ideológica que ele. Entrementes, os maiores prejudicados ao final desse processo são as pessoas que poderiam usufruir de um país melhor caso isso não ocorresse.

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