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Mostrando postagens de Dezembro, 2014

Férias do Minuto Produtivo

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Bem, como é tradição neste blog, toda véspera de Natal tem a postagem especial de fechamento do blog para balanço, e este ano não seria nada diferente. Mesmo escrevendo menos do que no ano passado (devido aos meus afazeres de faculdade, que ganharam o reforço do estágio no segundo semestre), posso dizer que diferentemente do Brasil e até mesmo do mundo, que tiveram um 2014 com momentos alternantes entre regular, ruim e pífio e patético (parafraseando um jornalista esportivo e sábio pensador contemporâneo), o ano em que o Brasil teve Copa fechou com saldo positivo, seja em minha vida pessoal, seja em minha vida acadêmica ou mesmo em minha vida profissional. É claro que tive algumas frustrações pelo fato de não realizar certas coisas que gostaria, mas isso faz e fará parte da vida (não só da minha, mas de todo mundo) enquanto a Terra (como nós conhecemos) existir.
Creio que apesar dos pesares, fiz o que coube em minhas limitações no sentido de informar, alertar e opinar sobre os mais d…

Por que Angela Merkel está no caminho certo?

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Texto originalmente publicado por Arthur Rizzi [1] no Tartaruga Democrática. A partir de 5 de janeiro ele estará oficialmente integrado à equipe de editores do Minuto Produtivo.

Muito se tem criticado as medidas de austeridade tomadas pela Alemanha, pois o crescimento da região tem sido baixo, ao passo que Obama aumentou gastos e a economia americana registrou boa recuperação.
Estaria Merkel errada? Não.
O que Merkel propõe é que não seja o governo, através de um quantitative easing, a criar uma nova bolha econômica disfarçada de crescimento. É verdade que as taxas de crescimento econômico na UE tem sido baixas, mas isto se deve mais aos embargos entre o bloco econômico europeu e a Rússia.
Segundo notícia recente, Merkel consagrou o Plano Juncker no Bundestag, que prevê redução da dívida e ortodoxia fiscal. Isso não significa, entretanto, que o governo deixará de investir em infraestrutura, pelo contrário, a taxa de investimento aumentará 0,3% em relação a 2014. Para Merkel o investim…

Mais um mito educacional derrubado: royalties do petróleo não ajudam a melhorar o ensino

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Não é nenhuma novidade para os leitores deste blog que vejo com ceticismo - para dizer o mínimo - em relação a algumas assertivas apresentadas pelo mainstream educacional brasileiro, sobretudo por docentes e alguns gestores da área. Também não fui o único por aqui a abordar esta questão e, tanto especialistas da área (Gustavo Ioschpe, por exemplo, já fala do tema com anos-luz de distância em relação a este que vos escreve) como meros palpiteiros Quando o Plano Nacional de Educação foi aprovado no início de junho, fiz um comentário neste espaço dizendo que o emprego de 10% do PIB para a área (previsto até 2024) não implicaria necessariamente em melhoria nos hoje pífios indicadores, seja em nível nacional ou internacional. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o emprego dos royalties do petróleo para o sistema de ensino também não significa o elixir para que tenhamos o mesmo em nível análogo de uma Coreia do Sul, Cingapura ou mesmo Finlândia, apenas para citar exemplos de países que sã…

Tempos de retrocesso

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Em resposta ao artigo “Nunca se roubou tão pouco” de Ricardo Semler, publicado na Folha de São Paulo.

O texto de Ricardo Semler argumentou que a corrupção no país é estrutural e histórica e que vem diminuindo ao longo das décadas em relação ao PIB brasileiro.
Nos governos militares, sendo uma ditadura, não há transparência dos gastos e, portanto, é um ambiente propício para corrupção. Todavia, cumpre informar que há uma relação entre percepção de corrupção entre a população e o tamanho de intervenção estatal.
Nesse sentido, o intervencionismo foi marca dos regimes militares no Brasil, tal como tem sido o lulopetismo. Destarte, em países cujo estado é maior, a percepção de corrupção é maior também. Empiricamente é possível notar que um estado gigantesco é um ambiente favorável a maior corrupção.

2012? No Brasil, 2014 - o ano que o país afundou de vez

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No primeiro dia de 2014, após ter passado o Réveillon na casa de um amigo meu (ex-colega de curso e hoje aluno oficial da PM), disse a ele antes de me despedir para retornar a minha casa o seguinte: "se conseguirmos algo será graças apenas a nós mesmos, até porque se dependermos do governo para alguma coisa estamos ferrados" (na verdade disse um termo um tanto diferente em relação ao último, apesar de dizer a mesma coisa). Na época, tanto eu quanto ele (e creio eu que mais alguns que leem este blog) a ideia de que a combinação Carnaval, Copa do Mundo e Eleições, bem como os resquícios do turbulento segundo semestre de 2013 (devido aos protestos) iriam fazer deste ano algo tão imprevisível quanto lamentável, e que se fôssemos deixados levar pelas situações teríamos de longe o pior ano de nossas vidas. E de fato estava certo. Infelizmente (ou felizmente, dependendo da situação), mais certo do que eu imaginaria ou gostaria de estar.
O ano já começou bastante quente, com a polê…

Acordo EUA-Cuba: um importante passo, mas não se empolguem

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Boa noite pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para comentar sobre o restabelecimento das relações diplomáticas entre EUA e Cuba, após 55 anos de afastamento devido à revolução ocorrida na ilha caribenha. Com importante intermediação do Vaticano (por meio do Papa Francisco), o acordo já está entre os eventos mais importantes da história recente da América Latina, sobretudo pelo fato de que pode se abrir a possibilidade de acabar com o embargo norte-americano ao feudo à ilha dos irmãos Castro, alegado por alguns como a causa da derrocada daquele país. Não há como negar que é um avanço e tanto na (tensa) relação entre os dois países, mas não compartilho da mesma euforia e empolgação, seja por esquerdistas, seja por direitistas.

Sondagem da FGV indicando o óbvio: menos empresas planejam investimentos em 2015

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A proporção de empresas que elevou os investimentos neste ano caiu em relação a 2013, enquanto aumentou de forma significativa a fatia daquelas que reduziram os aportes, de acordo com pesquisa feita pela Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada nesta terça-feira. Quanto a 2015, o levantamento mostra um setor privado cauteloso, com queda na intenção de investimento das empresas.
Ao todo, foram consultadas 3866 companhias: 545 do setor de construção, 824 na indústria de transformação, 957 no comércio e 1540 no setor de serviços, ao longo do bimestre outubro-novembro. Pela primeira vez, são divulgados resultados de outros setores produtivos, além do tradicional segmento industrial.

Há onze anos, a Petrobras valia a mesma coisa de hoje. Como era o mundo naquela época?

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Ontem, a notícia que chamou a atenção no noticiário econômico dos principais jornais foi o fato de que a Petrobras, cujas ações sofrem derrocada há algum tempo e teve o seu quadro piorado ainda mais pelos recentes escândalos de corrupção na companhia, tem o mesmo valor, corrigido pela inflação, de 2003. O valor de mercado da empresa é, inclusive, inferior a pouco antes do anúncio das reservas do pré-sal, em novembro de 2007, o que significa que para os investidores do mercado financeiro estas não tem nenhum valor no momento. Quando a Petrobras valia a mesma coisa de hoje, como era o Brasil, o mundo, e alguns aspectos da vida deste que vos escreve?

Bolsonaro, a "fúria dos deuses" e a oferenda inútil

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Antes de entrar de fato no tema do post de hoje, pretendo abri-lo com uma ilustração estranha à primeira vista, mas que ao longo do texto que irei escrever tornar-se-á perfeitamente entendível: em alguns filmes e desenhos animados de história antiga ou tão somente mitológicos, certos deuses, por algum motivo, se iravam com a população que em tese o adorava, e, por isso, se dispunha às vezes a destruir esta. As pessoas, com o intuito de se livrar da iminente destruição, resolvem arranjar uma oferenda para ser sacrificada (imolada, queimada, decepada, etc.) de forma a aplacar a fúria desses deuses e, assim, evitar a punição. Em alguns casos isso dava certo, em outros, porém, essas divindades continuavam insatisfeitas e o castigo ocorria assim mesmo, seja com terremoto, uma forte tempestade elétrica, chuva de fogo, tsunami ou uma combinação cataclísmica de todos esses eventos e mais alguns.
Algum leitor do blog deve estar se perguntando: "ora, você vai falar de Bolsonaro e colocou …

Interpretação de texto: pistas do quanto ela está ruim

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Bem, por que no Brasil é tão difícil para as pessoas conseguirem interpretar um texto (não só escrito, mas também discursos)? Muitos de nós, assim como este que vos escreve, já tiveram o terrível desprazer de clicar no link de um portal de notícias ou mesmo de sua página no Facebook e na área de comentários você ler pessoas opinando algo de forma completamente torta em relação ao texto. Eu mesmo, inclusive, já tive que passar pelo calvário de quase desenhar para amigos meus o que alguma personalidade pública disse. Neste blog você pode conferir dois exemplos de como a ausência de noções mínimas de interpretação (somadas a uma boa dose de vigarice intelectual e ideológica, claro) de texto está levando boa parte dos brasileiros a um processo de emburrecimento sem precedentes, a saber, o quiproquó gerado pelas declarações de Rachel Sheherazade (clique aqui) e as famosas distorções de textos bíblicos para justificarem posicionamentos políticos esdrúxulos (clique aqui). Temos ainda o caso…

As "crônicas" de Dilma: os gatos, os ratos, a gordinha e o regime

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Boa noite pessoal. Em clima de final de ano e como final de ano que se preze não pode deixar de ter pitacos, irei utilizar o Minuto Produtivo para dar os meus sobre o cenário econômico para 2015, usando e comparando um pouco os palpites de Arthur Rizzi, blogueiro do Tartaruga Democrática (ver aqui a análise dele) e convidado especial dos dois últimos podcasts da primeira temporada (ver aqui e aqui), bem como de outros palpiteiros e, eventualmente, de economistas.
Pois bem, a primeira coisa que pretendo ponderar aqui é, diferente do que Rizzi e o economista Rodrigo Constantino (ver por exemplo aqui) colocaram como palpites em blog e coluna, respectivamente, não acho que Dilma Rousseff escolheu uma equipe econômica mais "ortodoxa" (coloco aspas aqui, pois o único que segue essa linha de fato é Joaquim Levy, futuro Ministro da Fazenda. Nelson Barbosa possui um viés desenvolvimentista e Alexandre Tombini é apenas alguém que vai de acordo com a maré, nada além disso) com o intui…

Caríssima Marcella Franco, culpa nossa uma ova!

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Boa noite pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para comentar uma postagem publicada pela Sra. Marcella Franco em seu blog "Bonitinha, mas Ordinária", hospedado no portal R7 (ver aqui). Nela, a jornalista resolve culpar os homens (!) pela situação dramática da modelo e apresentadora Andressa Urach, internada após uma infecção na coxa esquerda após uma aplicação de hidrogel. Antes de mais nada, pretendo adiantar para os leitores deste blog: o texto da Sra. Franco é muito ruim. Terrivelmente ruim. Impressionantemente ruim. Arrisco dizer que é o pior de 2014, uma vez que duvido que saia outro tão pavoroso neste resto de ano, mesmo considerando a habilidade fenomenal de Eliane Brum, Leonardo Sakamoto e Guilherme Boulos em escrever ruindades em rede nacional. Até peço desculpas em compartilhar algo do tipo neste espaço, mas ao final explico o motivo. Seguem abaixo os trechos (em azul), com comentários ao longo do mesmo.
"Qualquer que seja o desfecho do caso de Andre…

Capitalismo, consumismo e o Natal

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Final de ano. Quase sempre acontece as mesmas coisas: as ruas e casas ficam mais bonitas com a iluminação e decoração especial, as pessoas tendem a ficar mais reflexivas diante do que fizeram ou deixaram de fazer ao longo dos quase doze meses, o comércio fica mais lotado (embora este ano a expectativa é de um período natalino fraco) e, até o período das festas de final de ano, o trânsito fica mais congestionado que o normal. Quando chega as comemorações propriamente ditas de Natal e Ano Novo, sempre rola aquele encontro com a família ou os amigos mais distantes (ou nem tão distantes assim, apenas impossíveis de se encontrar ao longo do ano), às vezes um amigo-X (amigo-choco, amigo-livro, amigo-sacanagem, amigo-qualquer coisa e assim vai) e, quase sempre, aquelas piadinhas ou perguntas infames, como "pavê ou pacumê?" ou ainda "e as namoradinhas?" (mesmo que saibam que você não seja um homem de muita sorte para a conquista). Como o final de ano é o período em que a …

O quadrado redondo da "regulamentação da mídia pela liberdade de expressão"

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Boa noite pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para comentar duas matérias publicadas no site da BBC Brasil sobre a questão da regulamentação da mídia no Brasil, tema que ganhou evidência com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, que aceitou colocar o tema em pauta após pressões por parte da cúpula petista. A primeira delas faz um breve comparativo sobre como funciona tal medida em vários países, como EUA, Reino Unido, Argentina e Venezuela. Já a segunda, que será de fato o alvo de minha postagem, é sobre uma entrevista de David Kaye, advogado especializado em direitos humanos e enviado especial da ONU para liberdade de expressão. Nela, ele diz que a regulamentação da mídia pode ser boa para a liberdade de expressão. Transcreverei alguns trechos da entrevista (em azul), e farei comentários ao longo do mesmo. Segue abaixo:
"BBC Brasil - Como o senhor vê a discussão sobre regulamentação econômica do mercado de mídia levantada pela presidente Dilma Rousseff?
Kaye - É di…