Acordo EUA-Cuba: um importante passo, mas não se empolguem

(Fonte da imagem: G1)
Boa noite pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para comentar sobre o restabelecimento das relações diplomáticas entre EUA e Cuba, após 55 anos de afastamento devido à revolução ocorrida na ilha caribenha. Com importante intermediação do Vaticano (por meio do Papa Francisco), o acordo já está entre os eventos mais importantes da história recente da América Latina, sobretudo pelo fato de que pode se abrir a possibilidade de acabar com o embargo norte-americano ao feudo à ilha dos irmãos Castro, alegado por alguns como a causa da derrocada daquele país. Não há como negar que é um avanço e tanto na (tensa) relação entre os dois países, mas não compartilho da mesma euforia e empolgação, seja por esquerdistas, seja por direitistas.

Primeiramente, meu recado vai aos esquerdistas que mandam um "chupa" aos "coxinhas" após o anúncio do fim da treta entre o "império do mal capetalista" e o "paraíso socialista": a primeira coisa é que se de fato o embargo norte-americano cair - que não é tão simples assim, uma vez que depende do Congresso, e é um assunto que divide tanto democratas como republicanos, bem como os fugitivos da ilha presídio - Cuba finalmente conhecerá algo mais próximo de um livre mercado, algo tão repudiado por vocês. Estranho que vocês critiquem tanto essa coisa tão horrenda que permitem que seres humanos façam trocas voluntárias com o mínimo de interferência do Estado mas ao mesmo tempo critiquem algo que - nossa, que desumano - permite àquele pedaço de chão no meio do mar do Caribe comercializar com, basicamente, todos os países exceto um. A segunda coisa, complementar à primeira, é que Cuba precisa de...Dinheiro. E os principais países que a ilha castrista tem relações comerciais (Brasil, Rússia, China e Venezuela) não estão em seus melhores dias. Os dólares americanos são, digamos, providenciais à sobrevivência do país. Por fim, o fato de agora o Porto de Mariel ter se tornado "estratégico" para o comércio na região (na verdade só se tornará caso o embargo de fato caia) não muda outro fato, por exemplo, de que este mesmo porto já foi utilizado para o contrabando de armas à Coreia do Norte.

Já o meu segundo recado vai aos direitistas em geral - liberais e conservadores, principalmente - que estão pensando no fim da ditadura castrista e nas primeiras eleições diretas naquele país: não gozem precocemente muito menos se iludam. Economia, por mais que seja um aspecto importante de uma nação, não é tudo. Fosse tão simples como alguns pensam a China já seria uma democracia, e não um regime ditatorial de partido único que utiliza a economia de mercado para se sustentar no poder. Acabar com o embargo à ilha (que, diga-se de passagem, não é a principal causa da situação de penúria da população de lá), sem exigir maiores contrapartidas (sobretudo no campo político e das liberdades civis), apenas ajudará fazer de Cuba uma China caribenha, com economia "livre" (coloco aspas pois o Estado continuaria controlando com mão pesada via estatais, como no gigante asiático), mas sem um ambiente político e sociedade livres de fato.

Enfim, por enquanto a reaproximação entre Cuba e EUA é uma boa notícia. Mas ainda não há motivos para fogos.

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