Há onze anos, a Petrobras valia a mesma coisa de hoje. Como era o mundo naquela época?

(Fonte da imagem: Infomoney)
Ontem, a notícia que chamou a atenção no noticiário econômico dos principais jornais foi o fato de que a Petrobras, cujas ações sofrem derrocada há algum tempo e teve o seu quadro piorado ainda mais pelos recentes escândalos de corrupção na companhia, tem o mesmo valor, corrigido pela inflação, de 2003. O valor de mercado da empresa é, inclusive, inferior a pouco antes do anúncio das reservas do pré-sal, em novembro de 2007, o que significa que para os investidores do mercado financeiro estas não tem nenhum valor no momento. Quando a Petrobras valia a mesma coisa de hoje, como era o Brasil, o mundo, e alguns aspectos da vida deste que vos escreve?

Lula estava em seu primeiro ano de governo;

O Ministro da Fazenda na época era Antonio Palocci. Apesar de ser médico, era muito melhor que seu sucessor, Guido Mantega, que é economista(!);

O atual Ministro da Fazenda, por sua vez, era Ministro do Planejamento;

O presidente do Banco Central era Henrique Meirelles. Junto com Palocci, tomou medidas bastante ortodoxas na economia (mesmo para os padrões tucanos);

João Paulo Cunha, que mais tarde estaria envolvido no Mensalão, era presidente da Câmara dos Deputados;

José Sarney era o então presidente do Senado;

São Paulo era governado por Geraldo Alckmin (pela segunda vez);

O Rio de Janeiro era governado por Rosinha Garotinho, esposa de seu antecessor, Anthony Garotinho;

Minas Gerais era governado por Aécio Neves, hoje senador e candidato derrotado à Presidência da República;

O Espírito Santo, estado onde moro, era governado por Paulo Hartung, que hoje está a praticamente duas semanas de reassumir o Palácio Anchieta;

George W. Bush era o presidente dos EUA. E, contra a vontade da comunidade internacional, entrou em guerra contra o Iraque;

Tony Blair era o primeiro-ministro do Reino Unido. E participou junto com Bush do conflito iraquiano;

Jacques Chirac era o presidente da França. E era contra essa guerra;

Gerhard Schröder era o chanceler da Alemanha. E tinha a mesma posição de Chirac sobre o assunto;

Ariel Sharon ainda era o trator da política de Israel. E a segunda intifada palestina estava a todo vapor;

A Argentina estava no começo do governo de Nestor Kirchner;

Hugo Chávez era presidente da Venezuela;

A Seleção Brasileira de Futebol ainda tinha um time de ponta;

O "Dream Team" de Bernardinho no vôlei estava em plena ascensão;

Michael Schumacher faturava o sexto título mundial de Fórmula 1, após uma verdadeira briga de faca com Juan Pablo Montoya e Kimi Räikkönen;

O Cruzeiro faturava seu primeiro título no primeiro Brasileirão de pontos corridos. E meu Fluminense quase foi rebaixado (no final Fortaleza e Bahia caíram para a série B);

A Globo vivia na esteira da emoção e da polêmica gerada em torno das novelas "Mulheres Apaixonadas" e "Celebridade" no horário nobre;

A Record ainda sonhava em ser vice;

O Show do Milhão ainda era exibido no SBT. E o Roda a Roda era exibido com o patrocínio da Chevrolet (bem melhor que o atual, na minha opinião);

A Band ainda tinha uma programação prestável de esportes, com direito a Campeonato Espanhol;

Tínhamos uma programação infantil ainda farta, com direito a TV Globinho na Vênus Platinada e A Hora Warner + Bom Dia & Cia no SBT (confesso que gostava muito de assistir Beyblade quando chegava da escola);

A Fiat já era líder no mercado de automóveis e ainda fabricava o Brava e o Marea;

A Volkswagen, apesar de não ter a "taça", tinha o "artilheiro" Gol, que estava ainda na terceira geração;

A Chevrolet ainda fabricava o Vectra, o Astra e o Corsa, hoje fora de linha;

A Ford, por sua vez, ainda tinha a versão "joaninha" do Ka, que não tinha versão quatro portas e transportava apenas quatro pessoas;

TV 29" era artigo de luxo. Computador então, nem se fala (notebook é covardia);

Não era tão fácil financiar um carro;

O Playstation 2 era a sensação do momento, apesar de muitos ainda jogarem no Playstation 1. E era muito caro, tanto que me contentei em ganhar um Polystation no Natal;

Eu estava na sexta série, e confesso que era petista. Defendia inclusive a reestatização das empresas privatizadas;

Ainda disputava corrida de bicicleta na rua, com direito a pit-stop em casa para tomar água;

Meu sonho era ser administrador (depois engenheiro de computação, e hoje estou no nono período de engenharia de produção);

Gostava de viajar com meu pai (hoje falecido), e o almoço nos restaurantes era a melhor parte;

A propósito, o carro que meu pai tinha era um Fiat 147 ano 86.

Enfim, esse é o resumo de tudo que estava a minha volta quando a Petrobras valia a mesma coisa que...Hoje. Direto do túnel do tempo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dando-se tempo ao tempo: cadê as vantagens do porto de Mariel?

Não, Juan Arias. Dilma não se transformou

ENEM 2015 e o orgasmo da esquerda festiva