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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Por que não dou palpites oficiais sobre o Syriza?

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Vejo muito amigos escrevendo textos formais para seus sites e blogs a respeito da vitória da extrema-esquerda grega. Eu – exceto em conversas informais de especulômetro no facebook – prefiro não me posicionar oficialmente sobre o assunto, pois acho impossível saber qual será o destino da Grécia na atual situação.
Desafiando a economia, o Syriza alega que cortará impostos sobre energia elétrica, água, saúde e saneamento, que aumentará o imposto sobre os ricos e que fornecerá mais serviços públicos, alega ainda que nacionalizará empresas e reduzirá a dívida pública. Qualquer pessoa minimamente conhecedora da economia sabe que temos um problema matemático aí. O governo ó tem duas fontes de recursos: Impostos e dívida pública, a diferença entre ambas na prática é mínima, como já mostrei neste artigo.

O "risco Syriza"

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No último domingo (25/01), a Grécia (bem como a Europa) teve a maior reviravolta política de sua história republicana. Após quatro décadas de alternância entre o Nova Democracia, partido de centro-direita, e o Pasok, partido de centro-esquerda, Alexis Tsipras, da Syriza (extrema-esquerda), chega ao poder após uma vitória avassaladora de seu partido. Para muitos analistas, tal giro foi a resposta da população grega às medidas de austeridade implementadas após a crise financeira deflagrada em 2010 (resultante da crise de 2008 nos EUA). O PIB do país reduziu em um quarto deste então, o desemprego atingiu uma proporção semelhante (entre os jovens chega a 60%) e a já elevada dívida pública do país, que já estava em patamares muito elevados para os padrões europeus, disparou. Tese essa que concordo, apesar de que tal explicação oculta as verdadeiras causas da catástrofe econômica (e social) que atingiu o país que foi berço da democracia no Ocidente.
É óbvio que esta vitória foi motivo de f…

Patriotismo e Nacionalismo: Virtude e Vício

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Nos últimos dois dias li o pequeno, porém precioso, livro de Gustavo Corção, "Nacionalismo e Patriotismo". Fiquei muito impressionado com a obra, como sempre, afinal, já o li em outra oportunidade. Trata-se de uma coletânea de artigos que o filósofo e romancista da democracia cristã publicou no jornal "O Estado de São Paulo" no transcorrer da década de 1950, onde o mesmo faz a análise da mentalidade política brasileira durante a confrontação com os problemas políticos particulares de sua época.
Embora a obra se dedique a analisar um período específico e particular de nossa história, ela revela a nós aspectos de nossa mentalidade política que se encontram presentes no nosso cotidiano, ainda que subjacentes. Esses aspectos se revelam em expressões do cotidianos, frases de efeito e personagens políticos e culturais que admiramos. Esse aspecto é o nacionalismo.
Para Corção o brasileiro não é patriota, ao contrário, é nacionalista. Embora isso tenha se enfraquecido bas…

Queremos direitos, não os custos deles

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A imagem que abre o post de hoje ilustra mais um momento da falta de visão econômica que atinge os brasileiros e, principalmente, os mais jovens: na última sexta-feira, dia 23, houve mais um protesto contra o aumento das passagens em São Paulo. O roteiro foi previsível: muitas faixas e cartazes, palavras de ordem, confronto com a polícia, quebra-quebra, balas de borracha...Ou seja, nenhuma novidade. Contudo, apesar da situação presente na imagem ser uma boa ilustração do que pretendo escrever por hoje, essa não foi a motivação para escrever este artigo. O que me motivou foi um artigo no blog de Plínio Fraga no Yahoo Notícias, em que ele fala de uma possível onda de privatização no setor de abastecimento de água, outro ponto especialmente sensível neste ano, principalmente para os paulistas. Um trecho do artigo de Fraga me chamou atenção pelo enviesamento negativo que o assunto é tratado. Segue abaixo:
"A água é um bem de todos os brasileiros. Sua captação, armazenagem, tratamento…

Governos e seus volumes mortos

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Hoje completa pouco mais de três semanas do ano de 2015, bem como da posse dos novos governantes e dos reeleitos que, supostamente, gerem o nosso país. Uma pessoa que assistisse ao horário eleitoral gratuito, entrasse em coma e acordasse no primeiro dia útil deste ano se assustaria com o cenário atual de nosso país. Talvez perguntaria: "Onde estou? O que aconteceu? Até o ano passado estava tudo bem...". Estava. Ou melhor: não estava. As coisas estavam mal há algum tempo, mas não só esse hipotético cidadão como alguns leitores deste blog não se atentaram aos fatos. Em alguns casos, nem mesmo o mais pessimista imaginava que a situação seria pré-apocalíptica. Por falar de apocalipse, o Relógio do Juízo Final avançou dois minutos, e marca apenas três para a meia-noite. Não sei se eles estão certos, mas certamente boa parte do Brasil (e provavelmente, do mundo) entrou com menos esperanças em 2015 em relação a 2014. E no que tange as circunstâncias eu acabaria compartilhando do m…

Os economistas clássicos provavelmente seriam favoráveis aos ordoliberais e não aos libertários

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Quando alguém usa hoje em dia a expressão "liberal clássico" para se auto-identificar, eu normalmente fico quieto e não faço nenhum julgamento para ver como que o enunciante prosseguirá com suas palavras. Por quê eu faço isso? Simples. Dizer-se "liberal clássico" hoje em dia não quer dizer rigorosamente nada, pelo menos até que você exponha suas ideias de maneira minimamente adequada. Isso não é culpa dos clássicos - Que o Eterno os tenha! - mas sim de um esvaziamento semântico na ordem do significado. O porquê de eu dizer isso é muito simples: muitos entusiastas da economia austríaca se auto identificam como liberais clássicos, embora não o sejam na realidade.
Para complementar a explicação, irei aprofundar no significado do que eu digo. Ricardo Feijó, um dos grandes estudiosos da escola austríaca no Brasil e escritor do livro Economia e Filosofia na Escola Austríaca: Menger, Mises e Hayek chama a atenção no seu livro que, embora se confunda a escola austríaca co…

Um caso prático: como o intervencionismo prejudica o empreendedorismo

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“Aqueles que se dispõem a renunciar à liberdade essencial em troca de uma pequena segurança temporária, não merecem liberdade nem segurança” (Benjamin Franklin)
Em dezembro passado, na empresa júnior de consultoria empresarial que faço parte, atendi um jovem empreendedor. Muito organizado e estratégico, ele tinha o capital necessário e ambições de abrir um grande estabelecimento de entretenimento em Serra, região metropolitana de Vitória/ES. Certamente, estava de olho no franco crescimento demográfico e econômico vivido pelo município na última década.
Entrementes, logo nos primeiros minutos de nossa reunião preliminar, a ideia foi descartada. Isso ocorreu porque havia à época um projeto de lei, agora já sancionado, que obriga determinados empreendimentos a fecharem suas portas a uma hora da manhã. Quando o alertei sobre isso, ele ficou decepcionado e arquivou seus planos de investir naquela localidade.
Nossa opção foi indicar outro local para estabelecer seus negócios e que atendesse…

1% vs. 99%: os equívocos sobre meritocracia e o capitalismo de compadres

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Boa noite pessoal. A notícia que chamou a atenção ontem no noticiário econômico internacional foi um relatório publicado pela ONG britânica Oxfam (ver matéria no Valor Econômico aqui), que mostra um cenário preocupante: em 2016, apenas 1% da população mundial terá mais da metade do PIB global, contra 48% no ano passado e 44% em 2009. Além disso, o estudo mostrou que apenas 80 pessoas possuem a mesma riqueza de metade da população mundial, contra 85 em 2013. A diretora-executiva da Oxfam, Winnie Byanyima, disse que apesar de lideranças globais como Christine Lagarde, diretora do FMI, e Barack Obama, presidente dos EUA, defenderem a luta contra a desigualdade econômica mundial, muitos ficam apenas no discurso.
É evidente que em um país com distribuição de renda bastante desigual como o Brasil tal notícia causaria bastante polêmica e diversos comentários nas redes sociais. Uns aproveitaram o momento para tecer críticas ao capitalismo, ao "neoliberalismo" (Boulos intensifies) e…

O ainda atual diagnóstico de Hannah Arendt sobre a educação

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Natália  Lima Netto

Muito se debate as causas dos péssimos resultados do ENEM tão comentados nas redes sociais. Em relação a isso, achei útil fazer um resumo de um dos textos mais famosos de Hannah Arendt: A crise na Educação.

Em seu texto, Arendt faz uma análise de como a educação entrou em crise como um todo e de como é impossível separar isto dos processos históricos que permearam a realidade humana no século XX. Como a educação representa a transmissão de um legado cultural e científico acumulado de uma geração para outra, é inevitável relacionar a educação com os fatos e acontecimentos políticos que marcaram o século passado; desde os totalitarismos fascistas e comunistas até a crise do capitalismo.

Bem que Yigal Palmor tinha razão...

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É provável que poucos se lembrem da imagem ou do nome citado no título desta postagem: Yigal Palmor. Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Israel, Palmor rebateu a nota do governo brasileiro sobre a operação militar em Gaza, chamando o nosso país de "anão diplomático". Ele fez outra troça sobre a reação brasileira à ação militar israelense, ao dizer que "desproporcional é 7 a 1". Ambas as frases foram polêmicas e dividiram opiniões, mesmo entre aqueles que não concordam com a política externa brasileira.
Pois bem, você pode discordar da ação militar israelense, você pode discordar da política externa israelense e você pode até discordar da existência do Estado de Israel da forma como ele é hoje, mas convenhamos, a primeira colocação de Palmor é um excelente resumo do que se transformou nossa política de relações internacionais (e no meu artigo neste mesmo blog, do dia 27/07/2014, você pode conferir algumas das evidências de nosso nanismo diplomático).…

O "pimpolho" brasileiro ainda não descobriu o que é o dinheiro

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Um dos grandes temas de debate nas últimas eleições foi sem sombra de dúvidas a inflação. No Brasil a inflação sempre foi um problema sério, e quem viveu antes do Plano Real sabe bem o quanto isso é verdadeiro. Os jovens de hoje não fazem ideia do que é a inflação e por vezes desmerecem as próprias conquistas da década de noventa. A inflação é um fenômeno político e monetário... Moeda, dinheiro.

Pior que não saber o que é a inflação, o jovem brasileiro, não obstante todas as trocas de moeda que tivemos e todos os surtos inflacionários que nos assolaram em nossa história, ainda não sabe o que é o dinheiro e de onde ele vem. Não, não vou contar a história do dinheiro, os interessados em sabê-la podem comprar o excelente livro do historiador da economia Niall Ferguson "A ascensão do Dinheiro".

A santa ingenuidade da Folha de S. Paulo e o MPL

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Bom dia pessoal. No último final de semana, fiz um post neste blog falando um pouco dos aspectos econômicos da ideia do "passe livre". E fui enfático em dizer que a ideia, por si só, é uma vigarice intelectual, uma vez que para alguém que use sem pagar o transporte coletivo haverá a necessidade de alguém que pague, às vezes sem usar. "Ora, mas isso é óbvio, né cara pálida?!", dirão alguns. Pois é, aqui no Brasil ainda é necessário discutir coisas óbvias. É necessário que um Ministro da Fazenda esclareça isso. Na verdade não surpreende tanto se pensarmos que os candidatos às universidades, que eventualmente engrossarão tais movimentos no futuro, possuem um desempenho pífio em matemática e redação. Aliás, o ano passado foi recheado de exemplos em que obviedades em qualquer lugar no mundo precisam ser detalhadamente discutidas e explicadas no Brasil, como exemplifiquei em um post no dia 12/12/2014.
Hoje, a Folha de S. Paulo publicou um editorial cobrando um posiciona…

O "novo choque do petróleo" e suas possíveis consequências

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Lembro de uma coisa dita a exaustão no ano passado por alguns "iluminados", como se fosse ontem: com o pré-sal, não só daríamos um passo a autossuficiência em petróleo (que ganhamos, perdemos e sabe-se lá quando ganharemos de novo), como também teríamos fortes avanços em educação, uma vez que o Plano Nacional para a área passaria a prever que recursos destas novas reservas tivessem destinação para o setor, muito embora tenha sido largamente demonstrado que isso, por si só, não foi capaz de fazer do Brasil uma Finlândia nos indicadores de ensino. Nos últimos meses parece que toda essa euforia criada em torno dessa quase infinitude de recursos desapareceu. E com razão, afinal o barril do "ouro negro", que oscilava em torno dos US$ 110 nos últimos quatro anos, está hoje em torno dos US$ 50. No caso brasileiro (muito bem descrito pela reportagem do El País) isso, junto com os recentes escândalos de corrupção, aceleraram a espiral descendente da Petrobras, que hoje val…

A liberdade de expressão — situações do presente evocando as do passado

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"Quando sentir-se ofendido dá poder a alguém, as pessoas se sentem ofendidas mais facilmente." Li isso certa vez em algum lugar da internet como citação à fala de uma pessoa. Peço desculpas por não poder colocar uma fonte melhor mas, infelizmente, minha memória não é absoluta.
Aqui quem escreve é Vinicius Littig, um dos editores do MP que afastou-se por conta de projetos pessoais. Apesar do longo tempo entre minhas postagens, garanto que continuo dando minha atenção à manutenção do lugar, seja ajudando em questões gramaticais ou seja simplesmente lendo e opinando. De qualquer forma, decidi escrever esse artigo após recentes ataques à revista Charlie Hedbo e o levante, mais uma vez, das questões sobre liberdade de expressão e seus limites. Aviso aos incautos: a postagem será longa.
Como sempre, gosto de separar questões em tópicos. O primeiro deles será:

Não, não sou Charlie. Mas isso não deixa o ato terrorista em Paris menos injustificável

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Boa noite pessoal. Completando quase uma semana do maior ataque terrorista da história recente da França (ver aqui meu primeiro comentário sobre a tragédia), que deu origem a uma espiral de tensão e violência que se estendeu até sexta-feira e cuja reação popular foi um protesto convocado ontem, que teve a participação de vários líderes mundiais, é necessário que se faça algumas reflexões sobre alguns pontos que giram em torno das atrocidades que marcaram a semana anterior.
Primeiramente, é importante que eu deixe bem claro aos leitores deste blog: não, eu não sou Charlie. Seria hipocrisia de minha parte eu dizer que sinto representado por alguém que se valha do desrespeito e da ofensa gratuita (o que inclui os símbolos religiosos, não só os do islamismo como também os do cristianismo, atacados igualmente pelo chargista francês) com o intuito de fazer "humor". Acredito que sempre quando é possível fazer alguém rir ou provocar alguém sem apelar para o escárnio em vez de recor…

Os privilégios de nossos políticos: Friedman explica!

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O chicaguista Milton Friedman definiu quatro formas possíveis de se gastar dinheiro as relacionando com a eficiência do investimento com a qualidade e satisfação que o bem em questão geraria.
A primeira delas é gastar o próprio dinheiro consigo mesmo, como seus gastos do cotidiano. É a melhor forma de se gastar dinheiro porque o indivíduo está preocupado tanto com os custos quanto com a eficiência de seu investimento, bem como com a sua própria satisfação através daquele bem, isto é, com a qualidade do produto.
A segunda trata-se de gastar o próprio dinheiro, mas para comprar algo para outrem, como um presente de amigo-oculto. A eficiência do custo ainda é relevante, todavia, a satisfação de quem receberá o bem é secundária, mormente quando o destinatário do bem for alguém distante.
A terceira forma de gasto não se preocupa com a eficiência do dinheiro, tampouco com a qualidade e satisfação que aquele bem ou serviço gerará. Isso ocorre porque o dinheiro não é de quem o gasta e a sati…

Passe livre: sempre foi, é e será uma farsa

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Boa noite pessoal. Como é de conhecimento de muitos, ontem (sexta-feira) foi o dia em que milhares de pessoas saíram as ruas para protestar contra o aumento das tarifas de transporte coletivo não só em São Paulo (onde foi o maior ato), mas em outras capitais e grandes cidades do Brasil. E como era de se esperar (seria surpresa se isso não ocorresse), os protestos terminaram em confronto com a PM e a ação de terroristas black blocs (sim, black blocs são terroristas e se você não gostou do que eu disse azar o seu). Como dizia o sábio de Eclesiastes, um livro do Antigo Testamento da Bíblia, "nada de novo debaixo do sol".
Para quem lê e acompanha este blog há algum tempo, muita coisa do que irei falar por aqui não é novo, até porque já comentei de forma até exaustiva sobre a questão do "passe livre", sendo que um de meus comentários, do dia 21/06/2013 (portanto durante a micareta que tomou conta do país naquele período), você pode conferir aqui. Salvo um ou outro ajus…

Ninguém estatiza por esporte nem privatiza porque acordou de bom humor

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Antes de qualquer coisa, gostaria de salientar que NÃO sou um defensor de empresas estatais, e que salvo em raríssimas exceções, suas existências não são justificáveis. Entretanto me parece que as pessoas acham que é só privatizar estatais ou, em caso de não existência das mesmas, jamais criá-las e tutto bene! Não é bem por aí. Em algumas ocasiões as estatais tiveram serventia. Por exemplo: a NASA. A agência espacial dos Estados Unidos teve por muito tempo o monopólio do mercado das viagens espaciais, podendo ser considerada um empresa pública dos EUA. Entretanto não havia leis proibindo empresários de investir nesse setor. Porque então não haviam concorrentes para a NASA?
A tecnologia para sair da Terra - nosso planetinha azul - já era conhecida, mas os resultados e os benefícios dessa viagem eram incertos; o grau de capital necessário para se investir nessa área era muito grande para simplesmente se gabar de mandar um homem pro espaço. Coube ao Estado usar o dinheiro do contribuin…

Veríssimo e a defesa da alquimia econômica

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Bom dia pesssoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para comentar uma coluna publicada pelo cronista Luís Fernando Veríssimo na edição de hoje de O Globo. Nela, o autor gaúcho resolve fazer loas aos keynesianos Paul Krugman e Joseph Stiglitz, ganhadores do Prêmio Nobel de Economia, e faz acusações ao "capital financeiro" (Leviana Luciana Genro intensifies), segundo ele o grande culpado pela crise econômica. Seguem abaixo trechos de seu texto (em azul), com comentários meus ao longo desta postagem:
"Paul Krugman e Joseph Stiglitz não são donos da verdade, mas são donos de um Prêmio Nobel cada um. Os prêmios lhes dão uma respeitabilidade que eles não encontram entre seus pares economistas, pois são os dois mais notórios inimigos da atual ortodoxia — keynesianos nadando contra a corrente da maioria. Para Krugman e Stiglitz, o receituário ortodoxo para vencer a crise mundial provocada pelo capital financeiro equivale a receitar gasolina para apagar incêndios. O sacrifíc…

Por uma imprensa e sociedade que deem nomes aos bois. Ou: é ataque terrorista islâmico sim!

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Hoje, o mundo ficou chocado pela demonstração crassa de estupidez em nome de uma religião. Terroristas armados com fuzis invadem a Charlie Hebdo, uma revista parisiense que teve envolvimento na publicação de charges do profeta Maomé (sagrado aos muçulmanos) e abrem fogo, matando 12 pessoas e deixando outras 11 feridas, a maioria em estado grave. Após o ataque, os terroristas gritaram "Alá é grande" e fugiram em um carro. Paris, bem como o restante da França, está em alerta máximo e diversos líderes mundiais manifestaram solidariedade às vítimas, lamentando a tragédia.
Em se tratando das manifestações dos terroristas, do alvo atingido e das recentes polêmicas envolvendo a revista com as charges do profeta Maomé (diferentemente do Brasil, não há restrições quanto à satirização de símbolos religiosos na França), qualquer pessoa que saiba ligar fatos e use o mínimo de lógica afirmaria com certeza que se trata de mais um ataque terrorista islâmico. Mas é pouquíssimo provável que…

As lições de "O Mapa e o Território" - Parte 1

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O artigo de hoje no Minuto Produtivo é, de forma básica, uma resenha do livro O Mapa e o Território, de Alan Greenspan, economista e ex-presidente do Federal Reserve (Banco Central) dos EUA. Sua obra, lançada em outubro de 2013, traz algumas reflexões e alertas sobre a economia mundial (com foco, claro, na norte-americana) após a crise de 2008, bem como algumas medidas que podem - e devem - ser tomadas para que no próximo tombo financeiro o mundo não sofra uma devastação tão grande. Alguns pontos do livro de Greenspan são bastante importantes, servindo inclusive de lição para o Brasil. Hoje resenharei os sete primeiros capítulos (no final de semana farei isso com o restante do livro).
No primeiro capítulo, intitulado "Espírito animal", o autor explana alguns aspectos do comportamento humano que devem ser levados em conta na economia (ele os chama de propensões): medo e euforia, aversão ao risco, preferência pelo presente, comportamento de manada, dependência, interação, pre…

A crença de que políticos são Super Heróis e Papais Noéis

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“Ainda que o livre mercado fosse menos ‘eficiente’ do que o planejamento central, continuaria preferindo minha liberdade pessoal à coerção.” (Ron Paul)
A Escola de Viena sustenta que o principal ingrediente para atingir o progresso é a liberdade de escolha. Afinal, qual a chance de um burocrata em Brasília saber a melhor forma de alcançar a sua satisfação que você próprio? E mesmo que soubesse, os valores de nossas escolhas mudam ao longo do tempo. Ou seja, isso seria impossível de ser atualizado constantemente, nem de satisfazer a todos da mesma forma porque os valores atribuídos a cada bem ou serviço são diferentes para cada um.
Em que se pese a comprovada maior eficiência do livre mercado, uma vez que seu sistema de incentivos é mais adequado que o Primeiro Setor, há a predominância de pensamento que o estado deve intervir, participar e prover de tudo, mitigando as trocas espontâneas entre os indivíduos em busca de maior satisfação.

O pior janeiro para o orçamento doméstico em uma década. Presságio?

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Boa tarde a todos. Como previsto, o blog volta à programação normal hoje (assim como no ano passado, foi a vez de um novo membro na equipe de editores fazer a postagem de abertura, sendo desta vez o meu colega de bancada Arthur Rizzi). E no meu retorno, comentarei a matéria do jornal O Globo sobre o típico drama para o orçamento familiar em janeiro, que para este ano promete ser ainda mais difícil. Segue abaixo:
"Este início de 2015 já é o de maior pressão para o orçamento familiar em uma década, na avaliação de cinco especialistas em finanças ouvidos pelo GLOBO. Todo começo de ano é sinônimo de concentração de dívidas e despesas a pagar. Impostos como IPTU e IPVA, gastos com material escolar e viagens estão entre esses custos. Com alta da inflação, restrição ao crédito e reajustes já anunciados de tarifas e tributos, este início de ano promete sangrar ainda mais as finanças dos brasileiros. Para especialistas, a fim de manter a saúde financeira, será preciso apertar os cintos nã…

A polêmica do salário mínimo alemão

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Olá amigos leitores do Minuto Produtivo! Esta é a minha primeira postagem como colunista do site, e antes de ir ao núcleo da polêmica, gostaria de saudá-los e avisá-los que este não será um evento único e que a partir de agora estou integrando a equipe de editores do site. Espero poder trazer opiniões que enriqueçam o debate tanto político quanto econômico e que, acima de tudo, gostem dos meus textos e opiniões. Uma vez saudados, vamos ao que interessa...
O Jornal "O Globo" noticiou uma nova goleada de sete da Alemanha sobre o Brasil. Não, desta vez queridíssimo leitor, não é no futebol e sim na economia. O jornal da família Marinho fez uma gozação conosco, brasileiros, sobre o fato de o salário-mínimo implementado na Alemanha ser sete vezes maior que o pago em nosso queridíssimo país. Há nesta notícia uma sequência erros de sugestão que destrincharei. Primeiramente demonstrarei que o nosso "Brasil brasileiro" não foi goleado pelo salário-mínimo especificamente, m…