Por que não dou palpites oficiais sobre o Syriza?

(Fonte da imagem: Forbes)
Vejo muito amigos escrevendo textos formais para seus sites e blogs a respeito da vitória da extrema-esquerda grega. Eu – exceto em conversas informais de especulômetro no facebook – prefiro não me posicionar oficialmente sobre o assunto, pois acho impossível saber qual será o destino da Grécia na atual situação.

Desafiando a economia, o Syriza alega que cortará impostos sobre energia elétrica, água, saúde e saneamento, que aumentará o imposto sobre os ricos e que fornecerá mais serviços públicos, alega ainda que nacionalizará empresas e reduzirá a dívida pública. Qualquer pessoa minimamente conhecedora da economia sabe que temos um problema matemático aí. O governo ó tem duas fontes de recursos: Impostos e dívida pública, a diferença entre ambas na prática é mínima, como já mostrei neste artigo.

Há uma terceira, só que esta é uma falsificação e não uma captação de recursos, que é a impressão ilimitada de papel-moeda. Nesse caso a Teoria Quantitativa da Moeda não perdoa, ela mostra os efeitos disso, os quais são desnecessários lembrar.

Então a pergunta é: Será que o Syriza vai mesmo usar este artifício? Parece-me manobra suicida. Duvido que o Syriza levará a cabo todas as reformas estatizantes que prometeram, existe, portanto, o risco (benéfico) do Syriza “lulear¹” e aderir a uma perspectiva mais parecida com a de Hollande ou, quem sabe (D’us ouça-me!) de Tony Blair.

Tudo no momento me parece incerto. Se o Syriza fizer tudo que diz será ou à custa da tributação ou da dívida, o que será ruim de qualquer modo… Se fizer à custa de impressão de papel-moeda será a maior loucura desde a hiperinflação soviética dos anos 20 do século passado. Evidência disto é que nem todos os políticos de esquerda na Europa ficaram agradados com a eleição do Syriza.

Aguardemos…

¹ De socialista ortodoxo, Lula se converteu em questão de meses em um liberal-social defensor da ortodoxia econômica.

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