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Mostrando postagens de Fevereiro, 2015

Observações sobre o senso comum 2 - O retorno

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Existe gente com quem não vale a pena discutir.
Não poderia haver frase mais clichê do que essa no atual cenário político pra começar um artigo sobre "senso comum". Clichês, chavões, slogans, retórica vazia... Nada mais senso comum do que isso. 
Tenho observado os petistas da vida real, além dos da virtual. Eles andam bem quietinhos ultimamente. Mas, alguns ainda sobrevivem às brabezas do cenário político. Um dia desses, comentei com um amigo meu que é advogado (excelente advogado por sinal) de que com algumas pessoas os argumentos são inúteis. A crença no partidão passou de uma convicção ideológica para um ato de fé, e simultaneamente, desonestidade intelectual.
Uma de nossas conhecidas, (conhecida minha e de meu amigo) muito famosa por bandeirar pro PT e pra UJS nas redes sociais e em sua universidade, ainda dá as caras nas redes sociais e nas ruas para defender o governo. Isso seria um ato louvável se ela tivesse algum argumento que pudesse se mostrar válido, e não apena…

Crise hídrica e aquele momento em que me vejo concordando com...Boulos!

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Após um longo período de pouca chuva e de uma iminência de catástrofe em torno do abastecimento de água em São Paulo (sobretudo na região abastecida pelo sistema Cantareira), a sorte resolveu bater a porta por lá. Com um fevereiro de chuvas acima da média, os sistemas de abastecimento de água em São Paulo finalmente resolveram ensaiar alguma recuperação, inclusive dando esperanças a Geraldo Alckmin, governador do estado paulista, em evitar racionamento ou rodízio. É óbvio que basta uma simples observação do nível dos reservatórios e do timing em relação ao período chuvoso para concluir que esse otimismo não se sustenta. E é nesse ponto que Guilherme Boulos toca em sua coluna da Folha de S. Paulo. Diferentemente de dois posts em que critiquei duramente seu ponto de vista (aqui e aqui) - e por incrível que pareça - tendo a concordar em diversos pontos com o líder sem-teto, ainda que em seu texto há alguns perceptíveis ranços ideológicos. Seguem abaixo trechos da coluna (em azul), com c…

A proposta mágica (e errada) de Kotscho para o ajuste fiscal

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Como é mais que de conhecimento por todos, a hora do acerto de contas chegou para o governo federal. Após pelo menos quatro anos de negação da realidade, o cenário previsto pelos ditos "pessimistas" acabou se concretizando, talvez de uma forma pior do que o esperado. Preços que foram represados sofreram reajuste, alguns gastos tiveram de ser cortados, impostos tiveram de ser elevados e os juros foram colhidos, afinal, plantou-se uma inflação que rondou perigosamente o teto da meta. No cenário atual, já se espera uma combinação de recessão com repique inflacionário, o pior dos mundos. 
É evidente que com isso surgem diversas discussões sobre o assunto, seja pelos efeitos em longo prazo deste ajuste fiscal, seja pelas alternativas propostas em relação ao que foi de fato adotado pelo governo federal. E é este último ponto que Ricardo Kotscho toca em seu blog no Portal R7. Com o título "Por que pacote não tira de bancos e grandes fortunas?", o jornalista traça sua ide…

Não tenho a menor pena dos reitores das universidades federais

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Hoje, ao dar uma percorrida no meu estoque de besteiras feed de notícias do Facebook, encontrei um link que me chamou a atenção. Era uma reportagem, exibida na edição de hoje do Bom Dia Brasil, que falava do corte dos recursos públicos destinados às universidades públicas, devido ao fato de que, segundo o governo, o orçamento de 2015 não foi votado e, por isso, há a necessidade de se segurar os gastos. E esta semana, os reitores planejam ir à Brasília cobrar providências do MEC, alegando que, por se tratar de um serviço essencial aos brasileiros, o ensino não poderia sofrer contingenciamento de recursos.
De fato, a nova realidade que se estabeleceu para os gestores das instituições é preocupante e inspira cuidados, não só para os servidores, mas, principalmente, para os alunos, alguns em situação mais delicada por conta do corte de bolsas e auxílios. Ainda que com ressalvas quando ao uso e contingenciamento de verbas, concordo que a educação é um serviço essencial e que atividades li…

A austeridade cambota de Dilma Rousseff

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Se existe uma coisa que tem me irritado profundamente com a mídia “progressista” é a insistência em chamar as atuais medidas de “austeridade” do PT de conservadoras ou direitistas. Jean Wyllys (sempre ele), disse que: “Dilma virou às costas ao povo, que votou na sua plataforma eleitoral aparentemente progressista”.
Bem, a tradicional ladainha esquerdista de usurpar a voz do povo (quando este majoritariamente está dando uma banana para as esquerdas em geral) é uma coisa realmente irritante, mas com o tempo você aprende a tolerar esse tipo de besteira. Entretanto isso passa longe da minha irritação. Talvez possa também irritá-lo, caro leitor, o fato de se chamar de “progressista” a irresponsabilidade fiscal pautada no simples engodo político, visando estimular a crise do capitalismo por meio da gastação desenfreada, para com isso culpar o livre-mercado e oferecer o comunismo como solução. Ou ainda baseado na mais pura e simples ignorância econômica. Sinto tentado às vezes a dizer que J…

Jabuticabas...Coisas que só temos aqui

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Uma expressão muito comumente usada para se referir a coisas especificamente brasileiras e tipicamente tupiniquins é a expressão "jabuticaba" - fruta que ao menos nos ditados populares, só existe aqui.
Uma dessas jabuticabas é o fato de que só no Brasil o partido de centro-direita e o de centro-esquerda estão sempre coligados em todas as eleições. PSDB e DEM (ex-PFL) são amigos de longuíssima data, governaram juntos por 8 anos, e foram oposição juntos por 12. O DEM está pra fechar as portas, é verdade. Seria o fim do último partido de centro-direita do país, que seria absorvido por algum fisiológico ou pelo seu anormal parceiro de centro-esquerda.
Tentei me recordar de algum caso análogo na Europa e América do Norte, mas não me lembrei. Nos EUA vigora o bipartidarismo mais sólido do universo, Republicanos e Democratas se odeiam e assim parece que será para o resto da história. No Canadá temos provavelmente a democracia mais bem distribuída do ocidente. Os conservadores do &…

Com quantas apropriações se faz uma cultura?

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Boa noite pessoal. Dando continuidade ao meu retorno às postagens do Minuto Produtivo, irei comentar sobre um assunto que parece estar na moda nas rodinhas mais "intelectualizadas" (adianto que no contexto brasileiro isso pode significar qualquer coisa, inclusive nada): apropriação cultural. Mais precisamente, da reação negativa que alguns grupos têm diante do fato de pessoas que possuem outra cultura acabarem usando elementos que pertençam à cultura desses. Para tais grupos, esta prática é um ato de desrespeito à cultura que eles alegam defender, e, portanto motivo de repúdio. Um exemplo disso vocês podem conferir na imagem abaixo:

Carnaval, o "prejuízo" dos feriados e a esquecida produtividade

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Boa noite pessoal. Como alguns sabem, fiquei a última semana sem escrever neste blog pelo fato de estar atolado em alguns compromissos acadêmicos (leia-se: fazer referencial teórico e metodologia de meu trabalho de conclusão de curso no IFES, onde estudo). E resolvi para falar de um assunto que de certa forma é recorrente em todo feriado prolongado, mas que ganhou destaque em um ano que se prevê crescimento zero: o prejuízo à economia causado pelo "excesso" de feriados (ver aqui e aqui). E, em outros anos que este assunto entrou à tona, as soluções propostas bem que variam, mas convergem para um ponto: transferir datas de feriados para a segunda-feira (como é o caso de uma proposta do então senador paraibano Roberto Cavalcanti, do PP) ou para a sexta-feira, de forma a evitar as tradicionais "enforcadas" que ocorrem quando essas são na terça ou quinta-feira.
Esta proposta, ontem, hoje e sempre, divide opiniões. Alguns apoiam a medida, uma vez que acreditam que o &q…

Observações sobre o senso comum

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Apesar de meus textos no "Tartaruga Democrática" serem considerados um tanto tecnicistas, de modo que mesmo um simples artigo de opinião soe sempre como um artigo científico, consigo e gosto de escrever em tom jocoso ou de desabafo, o que é raro.


Por outro lado, o "Minuto Produtivo", que ao contrário do meu blog - que se dedica mais a exposição de certos conteúdos com o máximo de precisão possível - me permite certa liberdade a qual não disponho no meu tradicional sítio virtual. Assim sendo, decidi usar este site para expor esse outro lado dos meus textos, como vocês podem ver no último texto e no do "pimpolho" brasileiro pelo qual muito fui elogiado no meu perfil de facebook. Deixando de lado a explicações, partamos ao que é de fato necessário escrever.

Harper e Obama - Os dois lados da mesma moeda ocidental

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Stephen Harper, primeiro-ministro do modesto, porem rico e desenvolvido Canadá, tinha tudo pra ser mais um líder nacional concentrado em seu afazeres burocráticos voltados para ajudar seu país a se desenvolver ainda mais, melhorando a qualidade de vida de seus concidadãos, sem entretanto aparecer muito na política externa, sendo apenas um coadjuvante.

Barack Obama, presidente do poderoso e "imperial" Estados Unidos da América, tinha tudo pra ser um líder de uma política externa intervencionista, ativa e protagonista.
Além das diferenças óbvias entre o papel de ambos os líderes e países, se encontram o fato de o primeiro-ministro canadense ser um conservador e o presidente americano um social-democrata. Entretanto, ao contrário do que se poderia prever, Obama se saiu um líder com uma política externa, tímida, covarde, pouco ativa, distante ou alheia aos problemas geopolíticos. Harper, ao contrário, se saiu um líder ativo, imponente e inflexível.

Ainda sobre 1% vs. 99%: o lero-lero de Boulos

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Eu acreditei que ao escrever um artigo comentando sobre a questão dos 1% vs. 99% (ver aqui), não voltaria a falar sobre o estudo da Oxfam tão cedo, uma vez que tentei explicar de forma razoável os motivos do quadro chocante em que no ano de 2016 a riqueza de 1% da população mundial será maior que a dos 99% restantes. Mas hoje, ao dar uma percorrida nos sites de jornais e portais de notícias, me deparei com uma coluna de Guilherme Boulos na Folha de S. Paulo sobre o assunto, bem como as "soluções" propostas pelo líder dos sem-teto. Não é a primeira vez que falo de seus textos, e quem quiser conferir minha resposta à coluna na qual ele culpa o "neoliberalismo" (vai saber o que é isso) pela crise de 2008 pode conferir aqui. Acompanhe abaixo os trechos da coluna de Boulos, com comentários durante os mesmos:
"No último mês, a organização britânica Oxfam apresentou um estudo sobre a concentração de renda no mundo. Os dados vieram de relatório do Credit Suisse e do a…

Obama se despede da austeridade que nunca existiu. Ou: El País, ¿por qué no te callas?

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Desde a vitória do Syriza nas eleições gregas de 25/01, a imprensa parece tentar encontrar mais políticos que eu poderia chamar de "esquerdistas de estimação": são contra medidas de austeridade, defendem ampliação dos gastos públicos (principalmente na área social) e apoiam mais impostos aos mais ricos. Não importa se gastar como não houvesse amanhã leva a mais endividamento e, no caso de alguns países emergentes, mais inflação. Não importa se mais gastos públicos, ainda que em áreas sociais, apresentem efeitos duvidosos. Não importa se algumas experiências de taxação de grandes fortunas revelaram-se contraproducentes para o país. O importante é um discurso que acabe soando doce para o público em geral e que encontre ecos pela mídia.
Ontem à noite, foi a vez do El País dar eco a um candidato à "esquerdista de estimação": Barack Obama, presidente dos EUA e desesperado para conseguir fazer algum papel que não seja o de lame duck (uma vez que agora as duas casas do C…

O patriota não é nem reacionário nem revolucionário

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Para finalizar essa série de ensaios sobre a obra de Corção (1, 2), decidi fazer uma reflexão acerca do sentimento patriótico. É ele um sentimento revolucionário e, portanto, perigoso?
Vamos primeiro à acusação: Os marxistas e demais socialistas (pois nem todo socialismo é marxista), acusam o patriotismo de ser fascista e um sentimento reacionário. Se entendermos o termo reacionário como "uma revolução ao contrário", como expõe o cientista político português João Pereira Coutinho em sua obra "As ideias conservadoras", o erro fica muito evidente, mas se entendermos reacionário no sentido marxista tudo fica confuso.
Karl Marx nunca definiu bem a diferença entre o conservador e o reacionário, o que fez com que, por vezes, ambos os termos se tornassem sinônimos. Isso fica óbvio na obra de Marx no seu livro "A crítica ao programa de Gotha", onde o revolucionário alemão deixa claro numa correção ao programa Lassalista que a burguesia é também uma classe revolu…

Por que o Marco Civil da Internet atrapalha os consumidores?

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A Lei nº 12.965/2014, conhecida como Marco Civil da Internet, começa a gerar, como esperado quando ainda era Projeto de Lei, impactos negativos aos consumidores.
Nesse sentido, a TIM foi alvo do Ministério Público/BA por oferecer um plano de Internet com acesso ao Whatsapp. O órgão afirma que o plano fere o princípio de neutralidade da rede.
Os defensores do Marco Civil alegam que a regulação da internet trará maiores garantias e proteção aos consumidores, todavia, a realidade prática é outra.
Isso porque a neutralidade da rede proíbe diferenciação de fluxos, o que impede o oferecimento de um serviço personalizado aos interesses do consumidor em questão.