A austeridade cambota de Dilma Rousseff

(Fonte da imagem: Sensacionalista)


Se existe uma coisa que tem me irritado profundamente com a mídia “progressista” é a insistência em chamar as atuais medidas de “austeridade” do PT de conservadoras ou direitistas. Jean Wyllys (sempre ele), disse que: “Dilma virou às costas ao povo, que votou na sua plataforma eleitoral aparentemente progressista”.

Bem, a tradicional ladainha esquerdista de usurpar a voz do povo (quando este majoritariamente está dando uma banana para as esquerdas em geral) é uma coisa realmente irritante, mas com o tempo você aprende a tolerar esse tipo de besteira. Entretanto isso passa longe da minha irritação. Talvez possa também irritá-lo, caro leitor, o fato de se chamar de “progressista” a irresponsabilidade fiscal pautada no simples engodo político, visando estimular a crise do capitalismo por meio da gastação desenfreada, para com isso culpar o livre-mercado e oferecer o comunismo como solução. Ou ainda baseado na mais pura e simples ignorância econômica. Sinto tentado às vezes a dizer que Jean Wyllys é ignorante, mas não é. Ele é um canalha mesmo, é do primeiro tipo, não do segundo. Entretanto, ainda isso é possível superar.

A canalhice que eu ainda vou ter que aprender a superar é a de qualificar como conservador e ortodoxo aquilo que é, na verdade um arremedo de teoria econômica, no máximo um espantalho da verdadeira noção de austeridade. Dilma praticamente não cortou gastos nesse governo, só reajustou prazos de pagamentos e suas condições e fez cortes muito modestos aqui ou acolá, mais pra convencer a Bolsa de Valores do que pra surtir algum efeito. O reajuste fiscal de Dilma Rousseff é o mais cruel de todos. Aumento de impostos com manutenção de gastos. Ou seja, já não basta o país estar em crise, o que é bem ruim para o povo, tem que extrair da população cada centavo via extorsão tributária pra cobrir o peito ou o pé, por causa do governo que comprou um cobertor curto demais pra si.

Sim, amicíssimo leitor! Todos os aumentos de impostos e juros, reajustes de prazos de pagamentos de seguros desempregos, bolsa-família, FIES e tudo mais que se possa receber na forma de direito só está acontecendo porque o governo quis transformar em cobertor de casal um velho e desgastado cobertor de criança. O governo gastou mais do que arrecadou e em taxas maiores do que as que o país “cresceu” (colocaria mais aspas se fosse correto). Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento acerca da macroeconomia sabe que não tem mágica. Se o governo não aumentar os investimentos pelo aumento da arrecadação motivado pelo crescimento econômico, ele vai aumentar pelo aumento dos tributos. Os títulos públicos são igualmente pagos pelos impostos, ou pelo aumento passivo da arrecadação (crescimento econômico) ou pelo aumento ativo dela (subida das taxas de impostos). Não tem para onde fugir, embora Jean Wyllys continue propagando essa lenga-lenga já surrada e desmascarada na eleição. Como disse em outro artigo, desde os debates eleitorais eu sabia que era o majestoso conto do vigário se manifestando gloriosamente entre nós, o digníssimo Sr. Engodo “dibrando” a população.

Austeridade significa gastar menos do que se arrecada, isso na prática se concretiza no modo como está ocorrendo na Alemanha, onde Merkel cortou impostos e cortou gastos. As crises batem sempre mais forte nos pobres, então é muito melhor deixar o dinheiro com eles e cortar as despesas do que extorqui-los de maneira a cobrir o “rastro de bosta das vaquinhas progressistas” – Que os Mamonas Assassinas me perdoem por isso.

Isso é a ortodoxia. O que a Dilma está fazendo não é nem direitista, nem liberal, nem conservador, nem ortodoxo, nem nada que se possa sugerir como não-sendo de esquerda. É a típica enganação esquerdista, feita pra tachar de ortodoxa, uma impopular medida heterodoxa de um governo fiscalmente irresponsável. Como diria o social-liberal Aécio Neves: - Essa é a grande verdade! Uma austeridade cambota, para um povo politicamente cambota, nada mais perfeito do que isso.

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