Observações sobre o senso comum

O sonho de Alexis Tsipras, atual primeiro-ministro da Grécia (Fonte da imagem: montagem do autor)
Apesar de meus textos no "Tartaruga Democrática" serem considerados um tanto tecnicistas, de modo que mesmo um simples artigo de opinião soe sempre como um artigo científico, consigo e gosto de escrever em tom jocoso ou de desabafo, o que é raro.

(Fonte da imagem: G1)

Por outro lado, o "Minuto Produtivo", que ao contrário do meu blog - que se dedica mais a exposição de certos conteúdos com o máximo de precisão possível - me permite certa liberdade a qual não disponho no meu tradicional sítio virtual. Assim sendo, decidi usar este site para expor esse outro lado dos meus textos, como vocês podem ver no último texto e no do "pimpolho" brasileiro pelo qual muito fui elogiado no meu perfil de facebook. Deixando de lado a explicações, partamos ao que é de fato necessário escrever.

Chrororô dilmoso

Alguns amigos têm compartilhado pelo facebook imagens "printadas" da página oficial de facebook de nossa "queridíssima" chefe de Estado e governo, onde jazem alguns eleitores da mesma irritadíssimos pelas tragédias econômicas que o país vive, e arrependidos por terem votado na petista. Bem, gostaria de ressaltar que não sinto a menor compaixão, nem mesmo uma nanoscópica pontinha de pena! Esses eleitores chorosos de Dilma são aqueles que ainda NÃO entenderam que dinheiro não cai do céu como cria a nossa "amada" presidenta e seus asseclas; ou ainda, que entenderam, mas estão revoltadíssimos contra a maldita REALIDADE (realidade burguesa) que insiste em oprimir o proletariado sofrido. Desses últimos não me contento em apenas "não sentir pena", ao contrário, até sinto uma enorme satisfação ao ver a "meninada" chorando sentada e batendo os pés com força no chão... Acho graça, dou gargalhadas, literalmente.

Também não sinto dó da presidenta, não obstante o choque de realismo com o qual ela teve de lidar. Descobrir que o dinheiro é limitado e que não dá pra gastar loucamente ad infinitum, deve ser um choque e tanto para qualquer primata que se julgue "ser humano".

Como garotos mimados, os reclamões de facebook que atormentam a presidenta, apenas exigem mais do mesmo veneno que criou nossos problemas, sendo por meio da crença de que dinheiro é infinito e que sai das impressoras do governo... Ou ainda, por pura e simples birra infantil, de quem acredita que prosseguindo teimosamente com o veneno, fará raiva na realidade até que ela encha o saco e aceite as medidas erradas as they were certas, como quem muda as leis da física da noite pro dia ao seu bel prazer, ou ainda, esperando ser tratado como aquele garotinho lento e frágil que sempre é "boiado" nos "piques", mas que nunca paga o "pique" porque é café com leite.

Quando nas eleições, Dilma prometia uma saída da situação difícil que o país vivia sem austeridade (ainda que cambota como a que ela vem fazendo), prometendo uma terceira via utópica e maravilhosa onde o reajuste fiscal seria feito sem cortar nenhum centavo e aumentando todos os investimentos (Leia-se gastos), eu sabia que era treta... O duro é explicar isso pro povão que nem sabe diferenciar superávit primário e superávit nominal.

Quando nas eleições, Dilma alegava que segurar os preços do combustível e da energia elétrica era uma medida permanente e de defesa do "patrimônio público" brasileiro e dos pobres, eu sabia que se tratava do magnânimo conto do vigário... O duro é explicar pro povão que o orçamento da Petrobrás e da Eletrobrás sai do bolso dele e de um punhado de acionistas, e que o dinheiro de ambos e a paciência dos últimos não é infinita. E que tão certo quanto dinheiro e paciência não serem infinitos, certo também é que não dava pra ser uma medida permanente, nem na defesa do "patrimônio público" (seja lá o que raios isso queira dizer!) e nem dos pobres! Energia e gasolina são os insumos mais presentes em todos os setores da economia, subida de preços neles representa aumento generalizado no nível de preços ao consumidor.

Tão óbvio, mas tão óbvio, que somente o nosso volksgeist premiado (como diria Martin Heidegger) seria incapaz de perceber. Mas... Sem surpresas! Afinal, já conhecia o "óbvio ululante" proclamado pelo "reacionário" Nelson Rodrigues.

A dívida pública não foi feita pra ser paga!


Nosso amado povão brasileiro tende a pensar na dívida pública como se fosse a dívida da quitanda, isso cria mais confusão do que resolve problemas ou explica as coisas. Não espero muito do nosso povão que mija na rua no carnaval e que tendo camisinha "de graça" dada pelo SUS prefere fazer 8 filhos sabe-se lá por quê! (sim, nosso volksgeist tem suas peculiaridades), mas sinto pena das pessoas que estão alheias as vantagens que os  Estados tem nos endividamentos. Se o Zé das Cachaças dever demais ele pode ir preso, mas quem é que prendeu os presidentes da república que deixaram dívidas internas e externas suntuosas e não pagas?

A dívida pública é um empréstimo que a sociedade civil, seja por meio de pessoas físicas como eu, ou jurídica como o Bradesco, concedem ao Estado brasileiro na esperança de receber juros por um período "x" de tempo e, após esse período, ser reembolsado no valor do principal que foi cedido inicialmente. É uma coisa relativamente lucrativa se o governo é fiscalmente responsável, e isso  não quer dizer "governo sem dívida", mas sim "governo com dívidas sustentáveis". Sim, a dívida do povão deve ser paga, já a dos governos, bem... Não é bem assim... Elas foram feitas para serem empurradas com a barriga e serem pagas dentro das necessidades e possibilidades.


Os governos quase sempre se contentam em produzir um superávit fiscal pra pagar os juros da dívida (não deixá-la aumentar) e fazer uns trocados como superávit nominal pra cobrir alguns "principais" pagos (reduzir a dívida), como fazem a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca. Outros preferem pagar os juros da dívida e... Se sobrar algo, diminui um pouquinho da dívida, e olhe lá! Como costumava ser o Brasil com a Lei de Responsabilidade Fiscal tal como se prosseguiu no governo FHC e Lula. Outros, como Japão e Grécia mandam ás favas qualquer limite fiscal e se endividam até não terem quaisquer meios para pagar, e por fim, surpresos com a revelação que dinheiro não é infinito, cogitam o calote.

Mas vai explicar isso pro povão, que tem medo de banco privado, e ainda assina promissória na padaria...

Não é mesmo?

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