A Copa já acabou faz tempo, mas o padrão Felipão...

(Fonte da imagem: O Globo)
Segunda-feira, 1° de julho de 2013. Um dia após o Brasil ter faturado o título da Copa das Confederações e ainda no olho do furacão da onda de protestos que varreu o país naquele ano, a presidente Dilma Rousseff disse que seu governo era "padrão Felipão". Não sei em que sentido ela disse isso ao certo, embora se pensarmos que o então comandante da Seleção em 2012 tinha empurrado o Palmeiras para perto do buraco da segunda divisão e ganhou o posto de treinador da canarinho como prêmio, dá para fazer uma analogia com a Miriam Belchior, que fez parte da equipe econômica que colocou a economia brasileira à beira do abismo e, como prêmio, ganhou o comando da Caixa.

Terça-feira, 8 de julho de 2013. O mundo acabou sendo testemunha do pior vexame da história da Seleção em sua história. Em casa. Em plena semifinal de Copa do Mundo. Sete a um para uma inspiradíssima Alemanha, com direito a cinco gols nos primeiros 26 minutos de jogo. No terceiro gol da seleção que finalizaria o torneio como tetracampeã (ver melhores momentos da partida aqui), Galvão Bueno disse que o time brasileiro havia perdido o controle do jogo (e havia mesmo). No mesmo mês, a inflação caminhava para o rompimento do teto da meta (de 6,5%) e a previsão de crescimento era inferior a 1%. O "sete a um" da economia parecia apenas questão de tempo. Por um triz escapamos de estourar o teto da meta de inflação, mas as expectativas para o crescimento do PIB de 2014 continuam longe de serem animadoras.

Alguém, ao ler esse breve flashback, pode estar se perguntando: o que você pretende falar com isso?

Pois bem, estamos caminhando para o terceiro mês do segundo mandato do governo Dilma e, se a situação política e econômica do Brasil já não está fora de controle, caminha para muito perto disso. Na economia, está sendo prevista uma inflação um bocado acima dos 7%. Quanto ao crescimento do PIB, estaríamos muito bem se tivéssemos uma expansão de 1%, mas o que se discute é qual será o tamanho da recessão que está por vir. Está sendo previsto -0,58%, mas como o ano está longe de acabar, espera-se mais calibragens para baixo desta expectativa, e caso se confirme o pior cenário (de colapso hídrico e energético), não há nenhum pessimismo esperar uma retração de -1% ou um patamar ainda mais negativo. Resumindo: para chegarmos em sete a um teríamos que melhorar. Muito. Isso sem falar na agonia da Petrobras e na piora dos até então intocados indicadores de desemprego.

A respeito do clima político, se existe uma palavra que defina melhor estes pouco mais de sessenta dias de segundo mandato de nossa governanta seria isolamento. Criticada pela oposição, que a acusa (merecidamente, que fique bem claro) de "estelionato eleitoral", pelas linhas auxiliares (como o PSOL, que fez campanha velada e agora posa de traído) e, principalmente, pela própria base aliada (sobretudo o PMDB, que após a eleição de Eduardo Cunha como presidente da Câmara dá sinais de que uma rebelião é apenas questão de tempo e oportunidade). Como se isso não fosse suficiente - e servindo de combustível para o incêndio - estamos no olho do furacão provocado pela Operação Lava Jato, que apura um gigantesco esquema de corrupção na Petrobras que favoreceria diversos políticos, sobretudo os do PT e sua base aliada. Nem mesmo o fato de Cunha e de Renan Calheiros, presidente do Senado, terem sido citados nos inquéritos de investigação diminuem o potencial de destruição desta tempestade política. Muito pelo contrário.

Neste cenário quase caótico e trágico, as discussões sobre um possível impeachment são inevitáveis e continuarão até que esta crise econômica e política (a pior em pelo menos dez anos) tenha alguma solução (sabe-se lá de que forma) ou se agrave ainda mais. Whatever, o resultado final pode ser o mesmo, apenas mudando o timing e o meio de se chegar ao desfecho. O que talvez dê sorte à presidente é que a oposição está aprendendo ainda a adotar uma postura mais firme. Por enquanto.

Enfim, a Copa do Mundo já acabou, e isso faz algum tempo. Mas Dilma Rousseff está certíssima em dizer que seu governo é "padrão Felipão". Até a analogia com os melancólicos jogos com a Alemanha e a Holanda é perfeita.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não, Juan Arias. Dilma não se transformou

Dando-se tempo ao tempo: cadê as vantagens do porto de Mariel?

ENEM 2015 e o orgasmo da esquerda festiva