George Orwell, Dilma, FHC e a Petrobras

(Fonte da imagem: BBC)
George Orwell em especialmente duas obras fez avisos sobre ingredientes presentes em receitas de projetos de poder. Um deles é a necessidade de culpar sempre um inimigo externo, bem como manipular e distorcer informações e fatos.

Em Animal Farm (1945) Napoleon, após assumir o poder, elege esse inimigo na figura de Snowball. Apropriasse de idéias de seu opositor reivindicando para si próprio a autoria e sempre que algo deva errado a atribuía a figura de Snowball. Havia ainda outro inimigo externo, os humanos expulsos da fazenda através da revolução, usados para causar medo. Sempre que questionado, Napoleon dizia que a vida de todos havia melhorado se comparada com a época longínqua antes de assumir o poder.

Já em Nineteen Eighty-four (1949), o inimigo externo trata-se de Emmanuel Goldstein e o regime de Big Brother possui ainda o Ministério da Verdade, que através de um revisionismo histórico muda fatos para adequá-los coerentemente a posição do partido.

Pois bem.

Dilma Vana foi presidente do conselho de administração da Petrobrás. No estatuto da empresa consta expressamente:



Esquecendo-se desse fato, após mais de um mês de silêncio em meio ao maior escândalo de corrupção institucionalizada da história do país, a qual ao que tudo indica o tesoureiro de seu partido foi beneficiário de propinas, Vana apresentou sua defesa: declarou que o culpado pelo colapso da Petrobrás foi um inimigo externo, FHC, cujo governo acabou há 13 anos.

Vana esqueceu que anteriormente, ainda quando ministra, criticou a proposta de criação de CPI para investigá-la, sustentando que a Petrobrás era uma empresa “com um nível de contabilidade dos mais apurados do mundo”. Em suma: é transparente o suficiente para ter um nível de controle e evitar corrupção.

Trata-se de uma clara demonstração da incapacidade de assumir os próprios erros. Afinal, para que assumir responsabilidades se Orwell ensinou que um inimigo externo serve justamente para isso?

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