Minha Casa Melhor suspenso por inadimplência...O motivo surpreende?

(Fonte da imagem: Caixa)
Na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff anunciou os motivos da suspensão do programa Minha Casa Melhor (ocorrida no final de fevereiro), que fornece crédito subsidiado aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida (outro programa de crédito subsidiado para a aquisição da casa própria) para a aquisição de eletrodomésticos. Segue abaixo a explicação:

"— Estamos revendo porque, ao contrário do Minha Casa, Minha Vida, que tem baixa inadimplência, o Minha Casa Melhor começou com inadimplência. Então, estamos avaliando incluí-lo no Minha Casa, Minha Vida, de forma mais simples. Esse é um processo de avaliação — informou a presidente em Araguari (MG)."

Sobre a decisão, é importante dizer que Dilma está certíssima em suspender a concessão de mais créditos para o programa, afinal mesmo considerando que os empréstimos são concedidos a juros inferiores à inflação (no momento estão consideravelmente inferiores ao IPCA e muito inferiores à Selic), o banco perderia menos dinheiro parando de conceder crédito do que concedendo sem receber as prestações. Mas ela está errada na mesma proporção ao querer incorporar o Minha Casa Melhor ao Minha Casa Minha Vida, afinal isso apenas mascara o problema, e não o resolve? E se a inadimplência estourar também no MCMV, o que será feito? Vão incorporar a programas de crédito com menor inadimplência até que esta também estoure nesses? Parece que, mais uma vez, vão trocar a cama caso a mulher (ou o marido) e a (ou o) amante sejam "pegos no flagra".

Outra pergunta, não menos importante que a primeira, é: alguém esperava um motivo muito diferente para a suspensão do programa? Ainda mais no cenário econômico dos últimos dois anos (o programa foi lançado em 2013), pelo menos?

Faço esta pergunta, pois quem acompanha o meu blog há algum tempo, ou, pelo menos, os noticiários econômicos, sabem dos riscos de se conceder crédito a rodo sem ter um crescimento econômico que acompanhe esse aumento na carteira de empréstimos que foi liderado pelos bancos públicos. Em um post publicado em agosto do ano passado, portanto quando os alertas de um ajuste duríssimo na economia já estavam mais evidentes, eu criticava a manobra burra do Banco Central em injetar mais dinheiro para ampliar o crédito de forma a "estimular a economia". Preciso dizer que neste último sentido a medida não funcionou?

Não é preciso ser um gênio em economia para entender que conceder empréstimos em condições generosas (tanto de limites como de taxa de juros), com uma economia que não acompanha tanto essa "bondade" (e nos últimos quatro anos, muito menos) e uma cultura financeira em que o crédito possui a função de turbinar o salário e não de organizar melhor as despesas em função dos ganhos, são um incentivo para que cada vez mais pessoas comprem mais e mais e, no final, tenham que dedicar parcelas paulatinamente maiores do orçamento doméstico para pagar dívidas. E, considerando um cenário de baixo crescimento econômico e alta inflação, os salários nem sempre conseguem acompanhar o crescimento dos gastos e temos então atrasos nos pagamentos e, por fim, inadimplência. A situação pode ficar bem mais complicada se o último pilar econômico de nosso país, que é o emprego, começar a ruir. E tudo indica que isso não tardará a acontecer...

Enfim, mais uma vez, fica aquele recado que digo há algum tempo: eu avisei.

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