O longo vale da sombra da morte que vem pela frente

(Fonte da imagem: Projeto Mãos que Curam)
O petismo vai enfrentar pela frente um longo vale escuro independente do que aconteça dia 15. A única diferença que vai surgir no dia 15 é se esse vale será um vale escuro ou o vale da sombra da morte de caráter bíblico e escatológico.

Tudo dependerá do que vai acontecer dia 15. Se ocorrer uma nova "Jornadas de Junho", podem ter certeza, meus caros leitores, de que além da popularidade da Dilma se resumir apenas ao cordão de puxa-sacos, a CUT e o MST (o que deve dar 1% da população), até mesmo a ala do PMDB aliada ao PT e liderada por Michel Temer vai pular fora do barco. E eu tenho uma boa evidência disso! Mas antes de entregá-la de bandeja á sua degustação, vamos explanar o contexto: o dia 15 já é dado por certo pelo petismo como um grande marco negativo. Eu sou um pouco mais cético e pessimista e não dou nada por certo ainda. Mas atentemos aos fatos!  E o fato é, que se até o Palácio do Planalto já teme o barulho do dia 15, o PMDB, mais fisiológico e menos arrogante o dá por mais certo ainda!

A evidência prometida é que Temer, que foi o destaque da propaganda tão alardeada do PMDB do fim do mês passado, onde o partido mais puxa-saco do Brasil exaltou os bons resultados de suas parcerias governistas com o PSDB e o PT, menosprezou Dilma Rousseff. Temer pode estar ficando interessado no impeachment ou na renúncia, afinal, a presidência pode cair no colo dele de paraquedas! Temer estava se apresentando ao povão, querendo ficar famoso e ficar bem visto. Oportunismo assim? Só com PMDBista, né?

Uma nova onda de "caras pintadas" tem grandes chances de fazer Renan Calheiros, Eduardo Cunha e Michel Temer terem muito em comum ao mesmo tempo, o que é sempre uma bomba, para mal ou para bem. O PP está incomodado também com o PT, por os ter deixado se queimarem sozinhos e, especialmente a ala mais ideológica do partido situada no Rio Grande do Sul - liderado a nível nacional por Ana Amélia e localmente por Marcel van Hattem - tem se mostrado muito irritadiço, haja vista os discursos, se não inflamados, pelo menos agressivos dos supracitados parlamentares. Isso para não falar de Bolsonaro, uma máquina nacional-positivista de guerra. É claro que se o dia 15 for um fiasco, nada de relevante acontecerá.

O governo de Dilma começa com um dado alarmantemente crítico e inédito! É a primeira vez na história recente da república brasileira, que um presidente eleito e que, portanto, assume em condições políticas e institucionais normais, tem uma aprovação tão baixa, de apenas 7% da população. Fernando Collor de Melo, 6 meses antes de seu impeachment, tinha 15%. Dilma é duas vezes mais impopular que o ex-presidente e atual "petroleiro" Fernando Collor.

Do ponto de vista econômico então, a coisa ajuda muito menos. A tendência é que a economia esteja ingressando num ciclo progressivo de contração econômica. Todas as burradas econômicas e desenvolvimentistas do governo Dilma fizeram com que os investidores tirassem seu dinheiro de nosso país, isso acabou por sobrevalorizar o dólar em face do real. O governo não consegue passar o seu pacote todo de ajuste fiscal no congresso, o que faz com que os "tarifaços" sejam sua única arma na economia. Ou seja, o governo precisa de um delicado bisturi pra tratar da economia, contudo dispõe de um enorme e vigoroso bastão de baseball para fazer isso.

O aumento dos impostos afasta ainda mais os investidores do país, empurrando o dólar ainda mais pra cima. Mas o cenário ainda não é ruim o bastante, acalme-se caro leitor, pode ficar pior! O Federal Reserve já anunciou que vai subir os juros. A questão não é nem se, nem quando, mas quanto! Se o FED for subindo gradativamente, Levy terá alguma margem de manobra para tentar equilibrar a situação (infrutiferamente), se for um kick, um "chutão" pra cima, Levy - monetarista que só - não vai ter escolha se não tentar induzir uma deflação, ou então, aguentará ver o dólar bater em 5 reais.

Isso é fácil de explicar. Com o aumento do juros, o capital especulativo, preso no Brasil, irá para uma fonte de retorno mais certo, que é justamente os EUA que, ao aumentar sua taxa básica de juros, aumentará o retorno sobre o capital e o investimento. Fica evidente que, caso o dia 15 seja um sucesso da direita política, ou seja um fracasso da mesma, uma coisa é tão certa quanto o fato de que ontem você já sabia ler, não será uma vitória da esquerda política. O agravamento da crise econômica é 99% de certeza. O da crise política ainda é incerto, porém muito provável.

Aguardemos.

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