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Mostrando postagens de Maio, 2015

A meritocracia NÃO precisa de oportunidades iguais para funcionar

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Ao longo da semana passada, uma tirinha, bastante compartilhada nas redes sociais, trouxe mais uma vez à tona a velha discussão sobre meritocracia: nela (você pode conferi-la no site Catavento), mostra a história de duas pessoas: Richard, um garoto de classe média/alta que sempre estudou em escola particular, não precisou conciliar trabalho e estudo e era sempre amparado pelos pais; do outro, Paula, uma garota pobre, que precisou conciliar trabalho e estudos e que nunca teve pais presentes. O objetivo da tirinha? Óbvio, contestar a ideia de meritocracia, a invalidando pelo fato de não existir "igualdade de oportunidades".
Não é a primeira vez que, mesmo de forma indireta, discorro sobre o assunto (ver aqui e aqui). Além disso, não custa reiterar a ideia de que tanto tal como a ideia de meritocracia, a "igualdade de oportunidades" é uma questão mal-entendida não só pelos esquerdistas, mas também por uma parcela considerável da direita, que muitas vezes acaba usando…

Não precisamos de um Humaniza Redes, mas sim de um Honestiza Redes

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Há pouco mais de dois meses, Luan Sperandio, então colega de bancada deste blog (infelizmente ele acabou deixando o espaço no início deste mês), escreveu um artigo comentando sobre a "reportagem investigativa" que supostamente ligava o Movimento Brasil Livre (MBL) ao Estudantes pela Liberdade (EPL), e este, por sua vez, aos Irmãos Koch, que estavam, supostamente, "financiando" o movimento, como se isso fosse, per se, motivo suficiente para desqualificar os grupos anti-Dilma (aliás, se fosse, desqualificaria uma renca de movimentos esquerdistas, aqui e mundo afora). Conforme dito em um artigo no site Mercado Popular, a prova que "ligava" o MBL e o EPL aos Irmãos Koch era uma matéria da Folha de S. Paulo que descobriu que o EPL era afiliado ao Students For Liberty (SFL), que era ligado ao CATO Institute, cujos 5% de sua receita era proveniente dos Irmãos Koch. Algo no estilo "um tio do amigo do vizinho do meu afiliado me contou isso", que virou o…

O default grego não precisava acontecer

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Apesar de todos os ataques cruéis feito pelos veículos de mídia a Alemanha, vê-se hoje uma crítica injusta. Pregou-se que a Alemanha era sem coração, quera uma terra de ingratos... Compararam Merkel a Adolf Hitler (o que é uma ignorância histórica terrível, uma vez que os democratas cristãos foram perseguidos pelos nazistas), e como se não bastasse, os alemães tiveram de aturar Tsipras ressuscitar uma dívida referente ao passado nazista (mas que curiosamente não levantou contra a Itália fascista que ocupou a maior parte do território grego, hoje dirigida pelo seu companheiro Socialista Matteo Renzi). Tudo isso correu dentro do período de negociações. A Alemanha tentou facilitar as coisas, tudo o que ela pediu foi que os gregos também facilitassem. Portugal, por exemplo, aceitou flexibilizar alguns de seus planos e a Alemanha concedeu reajuste de prazos, de juros, etc.

A Grécia, com um governo de "esquerda retardada", recusou-se terminantemente a fazer as concessões pedidas …

O ajuste fiscal sugerido por Boulos é um ovo no oco da galinha

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Aviso aos leitores: não, não desisti de minha licença de quatro semanas para poder realizar minhas atividades acadêmicas, sobretudo o meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Apenas dei uma pausa para escrever sobre um tema recorrente e que, creio eu, seja pertinente. É provável que eu faça outras pausas ao longo do período, mas já adianto que serão raras. Aliás, a data de entrega prevista para meu trabalho será 22/06. Ou seja, até lá farei postagens pontuais apenas. Agradeço à compreensão.
Não é a primeira vez neste blog que abordo o tema do ajuste fiscal, que recorrentemente cai nas rodas de discussão de especialistas, imprensa e palpiteiros em geral. Desde o ano passado, já alertava sobre o fato - ver aqui e aqui, por exemplo - de que o ajuste fiscal passaria de uma necessidade importante, mas ainda algo de proporções administráveis, para uma questão de vida ou morte, e com sérios percalços para se fazer, sendo que a dificuldade de aprovação das medidas provisórias que balizam ess…

Não se faz omeletes sem se quebrar os ovos

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O ministro da economia grega, o socialista Yannis Varoufakis apareceu hoje, uma vez mais, com suas clássicas bravatas. Desde que começou a tomar paulada da Troika, ele e seu governo "psolista" têm sido obrigado a "Lulear". Ou seja, o discurso Luciana Genro está sendo paulatinamente empurrado para um "Lulinha paz e amor". Como é de conhecimento público (Ao menos de quem tem dois pontos de Q.I), o governo Lula foi uma extensão do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, onde praticamente todo o fundamento macroeconômico liberal-social dos tucanos foi mantido intacto. Porque digo isso? Simples.

Sempre que Varoufakis aparece com uma bravata de que não vai abaixar a cabeça diante dos "imperialistas neoliberais" da União Européia, ele faz precisamente o oposto do que diz. Foi assim, justamente assim e não diferente de assim que ele levou o PSOL grego a ficar menos bolivariano e mais lulista. Processo este que só foi assim porque Lula tinha juízo…

Por que não me entusiasmo com o ranking da Heritage Foundation?

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Existem muitos fatores que podem levá-lo a descrer desse grande estandarte do conservadorismo anglo-americano (Link 1, Link 2, Link 3, Link 4, Link 5), que é o Índice de Liberdade Econômica, mas vou abordar alguns fatores que eu, pessoalmente, acho que o enfraquecem como elemento de prova e que, se tomado como um todo e per se, podem levar a conclusões birutas. O objetivo do ranking no seu geral é mostrar que quanto menor for o Estado, melhor tende a ser o seu grau de desenvolvimento econômico e social. Ao meu ver o que eu escrevo aqui é de uma grande obviedade, inclusive já mencionado em artigos científicos em universidades ao redor do mundo (links acima). A princípio comentarei uma crítica que poderemos em conjunto localizar aqui. O índice não possui muita coerência interna, atribui pontuações altas a países que não são economicamente muito livres e baixíssimas a países onde existe pouquíssimo Estado na vida das pessoas. A classificação segundo Robert Kuttner é arbitrária e ignora …

Birutices lógicas ditas pela ONU não deixam de ser birutices lógicas

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No mês passado, dois artigos sobre o polêmico tema da maioridade penal foram escritos neste blog. O primeiro, de meu colega de bancada Vinicius Littig, fala sobre os aspectos do crime e da punição, finalizando com argumentos que sim, endossam a redução da maioridade penal. O segundo, de minha autoria, teve por objetivo colocar em xeque alguns discursos falaciosos dos opositores à medida. Afinal, lógica ainda existe e é para ser usada, sempre que possível.
Hoje, no início da manhã, ao percorrer meu feed de asinices notícias no Facebook, vi uma matéria do jornal O Globo na qual a ONU resolve se posicionar contra a redução da maioridade penal. A boa notícia é que os argumentos são, em suma, os mesmos apresentados pelos opositores, inclusive com as birutices lógicas, algumas delas já devidamente respondidas no meu artigo (ver segundo link do primeiro parágrafo). "Ah, mas foi a ONU quem disse!", brada algum fã de Maria do Rosário. Trata-se do famoso argumentum magister dixit, ou…

Como os cartéis distorcem a economia?

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Os brasileiros têm assistido aterrorizados o escândalo que se tornou a Petrobrás e o assim chamado "clube do bilhão", uma patota de mega empresários subsidiados pelo BNDES para formarem gigantescas corporações que dominam tudo e combinam preços. Ora, a Petrobrás é um monopólio, o "clube do bilhão" é um oligopólio. Um oligopólio nada mais é que um monopólio coletivo também chamado de cartel.
Ninguém estudou melhor o fenômeno dos oligopólios e monopólios do que os ordoliberais de Freiburg, um exemplo mais acessível que eu posso lhe dar sobre um desses estudos é este excerto do livro de Ludwig Erhard, "Bem-estar para todos" publicado no site da União Democrática Acadêmica, texto o qual este humilde amigo que vos escreve acabou por ser o responsável pela transcrição.

Porém não foi apenas Erhard, "o grande ministro do milagre" da RFA o responsável por expor tão bem os males dos cartéis. Ninguém melhor que o próprio pai da Escola de Freiburg - Walter…

E o "efeito Syriza" não deu muito certo no Ocidente...

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Domingo, 25 de janeiro de 2015. Naquele dia um terremoto político sacudiu a Europa: o Syriza, partido de extrema-esquerda que faz oposição às medidas de austeridade, havia vencido de maneira avassaladora as eleições na Grécia. A impressão criada pela vitória do partido liderado por Alexis Tsipras era que isso seria o começo de uma série de vitórias de partidos de esquerda não só na Europa, mas no Ocidente como um todo ("chupa coxinhada", "a Europa toda será progressista", etc.). Mais ou menos no mesmo Período, o Podemos, partido de extrema-esquerda e anti-austeridade na Espanha, liderava as pesquisas eleitorais, os trabalhistas britânicos, liderados por Ed Miliband, frequentemente apareciam levemente na frente dos conservadores de David Cameron e um cenário muito parecido ocorria em Israel, com os trabalhistas de Isaac Herzog a frente do Likud de Benjamin Netanyahu. Neste último caso, teve ainda uma forcinha do time de campanha de Barack Obama para tentar levar o …

Você sabe o que todo empreendedor de sucesso tem em comum?

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Um sonho...
Falando assim, essa palavra parece não ter tanta força, mas eu prometo que você entenderá antes de terminar a leitura deste texto.

Primeiro, vamos largar os estereótipos. Deixe de lado a ideia de que empresários são "tirânicos sedentos por poder e dinheiro". Existem empresários assim? Sim. Mas não estamos aqui para falar deles (até porque eles nunca vão muito longe), estamos aqui para falar dos verdadeiros empreendedores.
Esse texto é destinado ao rico, ao pobre, ao homem, à mulher, ao branco, ao negro, ao amarelo, ao índio... resumindo, ao ser humano. A você.

O "neoliberalismo de Estado" é a nova tese de manicômio da Carta Capital

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No segundo artigo da trilogia de posts sobre alguns "choradinhos" baseados em senso comum nas últimas semanas, fiz questão de desmistificar a narrativa tomada pela opinião pública e apoiada pela grande imprensa sobre os protestos dos professores no Paraná, na qual dá-se a impressão de que foram vítimas de um "massacre gratuito" por parte da polícia. Uma pesquisa rápida e desapaixonada de alguns vídeos in loco sobre a situação derrubaria facilmente essa tese, mas como disse lá, digo aqui: tudo tem vez, menos os fatos.
Ontem, ao dar uma percorrida no meu feed de baboseiras notícias no Facebook, me deparei com um link da Carta Capital (sim, leio Carta Capital, seja para conhecer o "outro lado" no melhor estilo Sun Tzu ou mesmo por masoquismo) cujo título me chamou a atenção: "Neoliberalismo de Estado: a repressão aos professores do Paraná". O começo do título já soaria muito estranho, uma vez que em minhas aulas de história, aprendi que o "ne…

Estou farto de certos choradinhos III - A greve insana dos professores de SP

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No primeiro artigo da série, vimos que o discurso de "guerra racial", seja em Baltimore, seja em outros casos ocorridos nos EUA nos últimos meses, é distante dos fatos. No segundo artigo, vimos que a ideia de "agressão gratuita" promovida pela polícia do Paraná aos professores é igualmente longínqua da realidade. Hoje, no último artigo da "trilogia", mais um "discurso único" será colocado em seu devido lugar.
A greve dos professores em SP é a demonstração da falta de sensibilidade de Alckmin para com a educação em seu estado, e é um exemplo da falta de preocupação dos governantes com a educação no país como um todo.
Outra situação que atiça o senso comum das pessoas é a greve dos professores em SP, que já caminha para o segundo mês sem qualquer perspectiva de solução. A Apeoesp, o sindicato da categoria, quer 75% de reajuste (segundo eles isso seria equiparar o salário com outras profissões de nível superior); são contra a política de valorizaçã…

Estou farto de certos choradinhos II - Na confusão do Paraná tudo tem vez, menos os fatos

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No primeiro artigo da série, vimos como o senso comum da opinião pública e da imprensa transformou controvérsias triviais de ações policiais, incluindo os erros crassos, na narrativa da "polícia branca, fria e calculista que assassina negros", bem como o quanto esta narrativa está distante dos fatos. Neste artigo, colocaremos nos pinos mais um "discurso único" sobre um fato que repercutiu muito no país nos últimos dias.
O que aconteceu no Paraná foi um massacre gratuito promovido pela polícia militar contra professores que protestavam pacificamente contra um plano previdenciário perverso de Beto Richa.
É importante que essa história seja dividida em três partes: a primeira, que é uma de várias medidas que Beto Richa, governador do Paraná está tomando para realizar o ajuste fiscal em seu estado; a segunda, o método utilizado pelo sindicato dos professores; a terceira, o tratamento que a opinião pública, com ajuda inclusive da imprensa, está dando ao assunto.

Estou farto de certos choradinhos I - Baltimore e a suposta guerra racial

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Nos últimos dias, resolvi pegar alguns dizeres quase que aleatórios sobre alguns dos recentes acontecimentos no Brasil e no exterior. Dizeres estes que, apesar de aleatórios, formam um discurso único quando reunidos e devidamente concatenados. De um lado, fala-se que os recentes distúrbios de Baltimore são uma reação popular ao tratamento racista da polícia americana aos negros (duas variantes brasileiras disso são o "genocídio da juventude negra" e "polícia só mata preto e pobre", narrativas estas contestadas aqui); do outro, fala-se dos professores feridos nos protestos no Paraná como vítimas de uma agressão gratuita por parte da polícia; e do outro, ainda, os professores de SP, em greve (mesmo que o Alckmin picolé de chuchu esteja reticente em admitir isso) sejam símbolo de luta pela melhoria e valorização da educação no Brasil, inclusive com mais investimentos na área.
Confesso a vocês que há alguns anos, esse discurso seria piedoso, comovente e até tocante pa…

Parlamentarismo - O que Joaquim Nabuco diria sobre o atual paradigma político brasileiro?

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Que o PMDB na figura de Eduardo Cunha e Renan Calheiros e o PT na figura de Dilma Rousseff não se entendem, é um acontecimento que mesmo o brasileiro mais desatento já deve ter percebido. Chega a ser engraçado perceber que o PMDB faz o papel de partido conservador melhor do que o PSDB, partido em quem a direita vota por falta de opção. O PMDB - visando seus próprios interesses, é claro! - tranca pautas, promove pautas contrárias e incômodas ao PT e a toda a esquerda nacional, não deixa governar. Na prática, faz como o Partido Republicano fez com o governo Obama em muitas oportunidades, ao passo que o PSDB passa longe de incomodar.
Se por um lado, o fim da subserviência do Congresso ao Executivo demonstra um avanço na democracia, por outro revela a ampliação de um abismo na representatividade política em relação ao povo que o formou. Eu já havia mencionado as vantagens do parlamentarismo em outro artigo, mas aqui deixarei que o grande estadista brasileiro, Joaquim Nabuco, fale por mim…