E o "efeito Syriza" não deu muito certo no Ocidente...

(Fonte da imagem: Divulgação/Página de Benjamin Netanyahu/Facebook)
Domingo, 25 de janeiro de 2015. Naquele dia um terremoto político sacudiu a Europa: o Syriza, partido de extrema-esquerda que faz oposição às medidas de austeridade, havia vencido de maneira avassaladora as eleições na Grécia. A impressão criada pela vitória do partido liderado por Alexis Tsipras era que isso seria o começo de uma série de vitórias de partidos de esquerda não só na Europa, mas no Ocidente como um todo ("chupa coxinhada", "a Europa toda será progressista", etc.). Mais ou menos no mesmo Período, o Podemos, partido de extrema-esquerda e anti-austeridade na Espanha, liderava as pesquisas eleitorais, os trabalhistas britânicos, liderados por Ed Miliband, frequentemente apareciam levemente na frente dos conservadores de David Cameron e um cenário muito parecido ocorria em Israel, com os trabalhistas de Isaac Herzog a frente do Likud de Benjamin Netanyahu. Neste último caso, teve ainda uma forcinha do time de campanha de Barack Obama para tentar levar o líder conservador israelense à lona.

Enfim, a expectativa era de que o Ocidente tomasse um rumo mais progressista que ciclochato em São Paulo e leitor de Catraca Livre. E a realidade?

A realidade parece ter se revelado bem menos doce às esquerdas no Ocidente. Contrariando as expectativas mais recentes até então, Netanyahu é reeleito e, na última quarta-feira, formou a nova coalizão de governo, mais à direita e com uma parcela considerável de partidos religiosos (forças políticas que nem sempre são desejáveis, mas são necessárias na maioria das formações de governo por lá). No Reino Unido, os conservadores, liderados por David Cameron, conseguem vencer e conquistar cadeiras suficientes para governar sem a necessidade de coalizão. Na Espanha, o Podemos entrou em processo de desidratação: é a terceira força nas intenções de voto e está sendo acossado pelo Ciudadanos, uma legenda ainda menor de centro. Lembrando que o partido anti-austeridade de Pablo Iglesias é visto pela Venezuela como plataforma para a ascensão do chavismo no continente europeu e já esteve envolvido em um escândalo envolvendo recursos provenientes de lá.

E a Grécia? Bem, a Grécia, na última quarta-feira, completou 100 dias sob o governo do "mágico" Alexis Tsipras. E se a intenção deles era encontrar um atalho na situação, eles acabaram achando. Só que, bem provavelmente, para a falência.

Enfim, não foi desta vez que a "coxinhada" foi ou mesmo será derrotada de uma vez por todas. E, em 2016, a corrida à Casa Branca vem aí...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não, Juan Arias. Dilma não se transformou

Dando-se tempo ao tempo: cadê as vantagens do porto de Mariel?

ENEM 2015 e o orgasmo da esquerda festiva