O massacre de Charleston e a (i)lógica desarmamentista

Dylann Roof, o terrorista responsável pelo massacre uma igreja em uma comunidade negra de Charleston. (Fonte da imagem: G1)
Iria comentar sobre alguns pontos da encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, que fala sobre meio ambiente e mudanças climáticas, mas, diante do calor da discussão sobre os desdobramentos do massacre de Charleston, resolvi antecipar minha agenda de posts. Não obstante, o meu artigo sobre a encíclica que agradou muitos cientistas e políticos no mundo inteiro continuará sendo no domingo.

Finalizada a observação, toda vez que ocorrem massacres promovidos por psicopatas e/ou terroristas em locais de grande aglomeração, seja nos EUA ou em qualquer outro país (inclusive o Brasil), vem aquela discussão de sempre sobre o armamento da população, sobretudo em relação a ideia de que se a compra/venda/posse/porte de armas de fogo fossem proibidos, essas chacinas não aconteceriam. Não foi diferente com o caso de Charleston, em que Dylann Roof, de 21 anos, abriu fogo em uma igreja de uma comunidade negra localizada na cidade de Charleston, no estado americano de Carolina do Sul, matando nove pessoas. O ataque, que tem fortes motivações racistas, levantou novamente a discussão sobre o direito do cidadão a se armar, que, por lá, é garantido pela Segunda Emenda da Constituição. Assim como no massacre de Newtown, Barack Obama aproveitou a tragédia recente para levantar a bola da discussão sobre o controle de armas no país, uma vez que, há quase três anos ele tentou isso mas acabou sendo barrado pelo Congresso, então dividido por uma Câmara de maioria republicana e um Senado de maioria democrata.

É evidente que no Brasil, país em que a discussão sobre o direito de defesa da população virou um tabu por conta das campanhas do desarmamento, que tinham a intenção de reduzir os índices de violência, sobretudo homicídio - por sinal, intenções essas que fracassaram - é quase que um "discurso único" na grande imprensa de que o fato de os EUA terem uma legislação pouco intervencionista no armamento da população que esses massacres acontecem, e que, se Obama fosse bem-sucedido no controle dessas armas, o país estaria mais seguro em relação a tais incidentes.

O problema é que, se formos a fundo na legislação sobre armas na Carolina do Sul (cada estado norte-americano possui sua própria legislação a respeito do assunto), você verá que a posse de armas é vedada nos seguintes locais:
  • Departamentos de polícia;
  • Penitenciárias;
  • Fóruns;
  • Locais de votação em eleições;
  • Escritórios do governo;
  • Eventos esportivos em escolas e faculdades;
  • Creches;
  • Serviços de saúde;
  • Igrejas;
  • Qualquer estabelecimento privado que proíba armas de fogo.
Portanto, na Carolina do Sul, igrejas estão entre as conhecidas gun-free zones (locais livres de armas de fogo). E, coincidência ou não (na verdade não é coincidência, dado que diversas escolas e outros locais onde ocorreram massacres nos EUA eram gun-free zones), foi o local onde ocorreu a hecatombe. É para lá de óbvio que terroristas, criminosos e sociopatas dispostos a matarem diversas pessoas pela frente não pensarão duas vezes antes de entrar em um lugar proibido para eles. Até porque as pessoas que estão ali serão alvos fáceis, sem a menor chance de defesa.

Alguns perguntarão: "mas ora, por que alguém levaria uma arma para uma igreja"? Responderia então: se quase ninguém levaria uma arma para uma igreja, por que proibir então? Não faz sentido proibir algo que, em tese, ninguém utilizaria, correto? De qualquer forma, Roof escolheu uma igreja para perpetrar a atrocidade pois sabia que não haveria ninguém armado que esboçasse pará-lo. E não custa lembrar ainda que, entre os estados americanos, a Carolina do Sul nem de longe é o mais armado (no critério de armas registradas a cada 100000 habitantes). Seriam realmente as armas de fogo as grandes culpadas desta situação? As primeiras evidências, com base na legislação e nos dados, apontam que não.

Enfim, se a intenção é evitar que malucos racistas resolvam abrir fogo em negros numa igreja, a solução mais efetiva está na imagem abaixo. Mais precisamente, à direita.

(Fonte da imagem: IB Business)
Aviso aos leitores: post extra escrito durante o período de "licença" para as atividades acadêmicas de último período.

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