A corda da forca não afrouxou como o governo esperava

(Fonte da imagem: Estadão)
Como é sabido de muitos, ontem foi mais um dia de protestos contra o governo Dilma em diversas capitais e grandes cidades espalhadas pelo país. Apesar de não ter repetido ou superado o sucesso dos atos de 15/03 (ver artigos de Arthur Rizzi e meu, respectivamente, aqui e aqui), quem esperava que estes acabariam "morrendo na praia" em relação a 12/04 (ver aqui o meu comentário escrito na época) e, a partir daí, o governo poderia ensaiar a virada após o súbito apoio de Renan Calheiros (diga-se de passagem uma condição necessária para que a instabilidade política não fique ainda maior, como apontei aqui), terá de esperar um pouco. Na melhor das hipóteses (leia-se: muito melhor), os atos de manifestantes pró-governo marcados para a próxima quinta-feira (20/08) servirão de termômetro da força que este terá de agora em diante. Se depender do retrospecto dos atos anteriores, não é algo que Dilma Rousseff possa contar para o momento.

É evidente que a leitura de tudo isso é que o segundo governo de nossa presidente continua com a corda do pescoço, e esta não aliviou como o esperado (e muito menos que o desejado). O pouco de governabilidade que existe está quase que totalmente nas mãos de Calheiros e de sua "agenda Brasil", com propostas necessárias para organizar a economia, apesar de terem sido ventiladas apenas no sentido de visar um "cessar-fogo" entre o Legislativo e o Executivo do que, de fato, no interesse maior pelo país. É bem provável que para que a agenda passe tanto no Senado como na Câmara presidida pelo inflamável Eduardo Cunha, o governo seja convidado a assumir a paternidade deste "pacote do bem", o que por sua vez significaria assumir, sem quaisquer sombra de dúvidas (se é que havia alguma para alguém), que houve um estelionato eleitoral. Mais frustração para os eleitores de Dilma, obviamente.

Cabe deixar claro que, mesmo não levando em conta os impactos das próximas fases da Operação Lava Jato, o "pacote do bem" de Calheiros (por sinal, um possível encrencado, ou não) poderá vir tarde demais para surtir efeitos positivos na economia brasileira. Além de estarmos sob efeito de um camboto ajuste fiscal, um futuro crash na China poderia causar um estrago de proporções pouco concebíveis em nosso país, uma vez que o gigante asiático é nosso maior parceiro comercial. Com menor apetite por commodities, os preços cairiam e poderíamos abrir mão de qualquer possibilidade de crescimento do PIB, pelo menos, até 2018.

Fato é que, mesmo que o impeachment de Dilma Rousseff não venha, seu governo continuará sob muita pressão. E continuará assim por muito tempo.

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