A emenda de Flavio Renegado saiu pior que o soneto

(Fonte da imagem: Folha de S. Paulo)
No último sábado, durante o show do Criança Esperança, o rapper Flávio Renegado, ao cantar, disse em um dos versos que "a KKK bate panela na Paulista". Este trecho causou polêmica nas redes sociais, e sua página no Facebook foi inundada de críticas (inclusive fiz uma por lá). Hoje, na coluna da jornalista Mônica Bérgamo na Folha de S. Paulo, o artista resolveu se defender das críticas que recebeu, e sua resposta foi, no mínimo, tão trágica quanto seus versos. Segue trecho:

"Folha – O que você achou da repercussão da sua apresentação no "Criança Esperança"?

Flávio Renegado – Eu recebi o convite e me pediram pra fazer um rap específico pra lá. Eu estou num momento muito reflexivo, pensando na forma como a sociedade está se comportando. A letra traça muito esse caminho, mas pegaram um trecho específico e analisaram sem contexto. Quando eu levo essa reflexão pra KKK não estou falando que quem está na manifestação é o branco ou o amarelo ou o negro.

A que você se refere?

Falo da intolerância, do ódio que se espalhou. A menina sai de um culto de candomblé e toma uma pedrada. Homossexuais são assassinados e espancados. Em momento algum eu quis dizer que todas as pessoas que estão na Paulista são racistas. Se expressar é um direito de cada um. Meu novo disco, "Relatos de um Conflito Particular", vem muito nessa mão. Não posso falar quem tá certo ou errado. Mas quero garantir que todos tenham voz. E principalmente que quem vem da periferia também tenha voz."

Existem duas hipóteses para essa resposta do cantor: ou ele não sabe o que foi a Ku Klux Klan, muito menos o que os "zé gotinhas do mal" defendiam, ou ele não sabe o que os manifestantes que batem panela na Paulista defendem. Na verdade, arrisco as duas coisas.

Para piorar, na resposta à segunda pergunta, ele sai pela tangente e resolve falar de atos de intolerância que, de fato, devem ser motivo de indignação independente de ideologia política, mas ora bolas, o que isso tem a ver com quem bate panela na Paulista? Será que ele acha que isto é igual a tacar pedra em uma seguidora de uma religião afrobrasileira ou a dar "lampadadas" em homossexuais na rua? E se ele não quis dizer que quem bate panela na Paulista é racista, qual o intuito de tratar os manifestantes contra o atual governo como KKK? Enfim, ele não explicou absolutamente nada com isso.

A emenda saiu muito pior que o soneto.

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