Estamos a caminho de um "Big One" econômico?

(Fonte da imagem: The Atlantic)
Parece que um dos cenários mais temidos em relação à economia chinesa começa a se desenhar: diante da ausência de estímulos por parte do governo após a queda de 11% na semana passada, a bolsa de Xangai despencou 8,5%. Foi o maior tombo desde 2007, quando a crise econômica que eclodiria no ano seguinte já estava tomando forma. Os índices das bolsas de valores em todo o mundo também reagiram - ou estão reagindo - negativamente e o preço do barril de petróleo caminha para valores próximos a março de 2009, na esteira do crash de 2008.

Não é nenhum alarmismo, como muito bem abordado no artigo de Arthur Rizzi, se preocupar com a possibilidade de que a crise no gigante asiático seja pior em relação a 2008, ou, em um cenário ainda mais devastador, ela se torne um Big One, superando os estragos causados pela quebra de 1929. Também não é a primeira vez que falo sobre os efeitos de um tombo da China para a economia brasileira, dado que é a segunda maior economia do mundo é nosso maior parceiro comercial. Isso sem falar no risco de nossa tentativa de recuperar a credibilidade com os investidores (por meio do ajuste fiscal) dar com os burros n'água. 

No momento em que escrevo este post, o Ibovespa está em queda de 5% e o dólar está em R$3,56. Neste último caso, há um duplo problema: por um lado, pressiona a inflação (que está em 9,5%) por meio das altas de produtos que tenham insumos importados (ah, e não é só a viagem internacional dos ditos "coxinhas" para a Flórida, mas também o pão de cada dia que o trabalhador come no café da manhã, dado que o trigo para a produção é importado); por outro, também pressiona a inflação através da redução da oferta ao mercado interno, uma vez que é mais vantajoso exportar.

Estamos no começo de uma semana que pode ser histórica para a economia mundial. Resta saber - e torcer - que não seja algo tão assustador como eu imagino e muitos por aqui também.

UPDATE (24/08 - 23:00): O Ibovespa fechou com baixa de 3,03%, e o dólar, a R$3,55. Como já é terça-feira nos mercados asiáticos, a bolsa de Xangai já voltou a cair.

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