Mundo: graças ao politicamente correto, um lugar cada vez mais chato de se viver

Babás da Fernanda Lima. (Fonte da imagem: Divulgação/Instagram/Catraca Livre)
Não é a primeira vez que abordo a questão dos discursos politicamente corretos e seus efeitos deletérios na sociedade, portanto algumas coisas que escreverei neste post não são exatamente uma novidade. Mas a cada dia que passa estamos a cair em uma situação na qual teremos que reinventar a roda diariamente, dado que as pessoas buscam defecar regras nas coisas mais triviais. Ontem, ao acompanhar o feed de besteiras notícias do meu perfil no Facebook, duas notícias me chamaram a atenção e me motivaram a escrever por hoje.

A primeira, publicada no blog Page Not Found de O Globo, mostra um estudo da Universidade de Maastricht (Holanda), que concluiu o seguinte: o ar-condicionado dos escritórios é machista, uma vez que a temperatura dos escritórios é determinada segundo a taxa de metabolismo de um homem de 40 anos, e pelo fato de as mulheres terem menor estatura e um tecido adiposo menor, acabariam sentido mais frio. Ao final do estudo, os cientistas holandeses sugerem que os escritórios procurem reduzir a discriminação baseada em gênero, de forma a garantir o conforto térmico e a harmonia no trabalho, bem como contribuir no combate ao aquecimento global.

Bem, eu até gostaria de conferir este estudo em seus pormenores, mas como sou uma pessoa que acredita no princípio chamado "Navalha de Ockham", desenvolvido pelo filósofo e monge franciscano Guilherme de Ockham (ou William de Ockham) e costumeiramente enunciado como "a explicação mais simples é, geralmente, a correta", vejo algumas hipóteses relativamente triviais que foram sumariamente desconsideradas pelos pesquisadores:
  • A Lei de Fourier, que trata o fluxo de calor (quantidade de calor por unidade de tempo) que atravessa uma parede como algo diretamente proporcional à sua área da seção transversal e à diferença de temperatura e inversamente proporcional à sua espessura;
  • Os três processos de transmissão de calor: condução, que no caso da reportagem é o processo pelo qual boa parte do calor existente no meio externo consegue se propagar para o escritório; convecção, que seria o calor já existente no escritório sendo transmitido pelas camadas de ar existente no interior do mesmo; e irradiação, que neste caso teria a ver com o calor emanado pelas próprias pessoas para o ambiente (ver aqui);
  • Fatores de engenharia para o projeto de refrigeração, sendo que um deles é a posição do escritório em relação ao sol. Ambientes cuja parede é voltada para o sol da tarde precisam de um sistema mais potente em relação aos voltados para o sol da manhã.
Pelo visto, nenhuma dessas três explicações, relativamente simples e sendo que as duas primeiras constam em qualquer livro de física de ensino médio, foram convincentes aos pesquisadores. Ou se foram, subentende-se que tanto a física como a biologia são...Digamos, machistas. Sobre o fato de eu ter citado a biologia, é importante frisar que pelo fato de que o metabolismo masculino, em geral, é mais acelerado que o feminino. E isso se deve ao fato de que geralmente a constituição muscular masculina é mais generosa que a feminina. Mais músculos, mais ágil o metabolismo, maior o gasto de energia para uma mesma atividade e, por consequência...Mais calor dissipado para o ambiente por meio de irradiação, por exemplo. Até aí eu não sei em que ponto dá para encaixar a discriminação de gênero nisso...Na verdade não vejo nenhum.

Já a segunda notícia é a do caso Fernanda Lima, que ao publicar no Instagram (vide imagem de abertura do post) uma foto com suas babás usando roupas normais em vez de aquela típica roupa branca, foi acusada de ser racista. Alguns comentários críticos à modelo e atriz (você pode conferi-los aqui) fizeram um paralelo da foto das babás com o passado escravocrata do Brasil. Mais uma vez fica aquela sensação de Oh...Really?

O interessante dessa lógica de associar uma simples foto de seus empregados a racismo apenas pelo fato de serem negros me leva a inferir algumas coisas:
  • Se as babás fossem brancas e não negras, os internautas iriam chamá-la de racista pelo fato de não ter negras no seu quadro de empregados?
  • Onde está aquela turminha sem preconceitos de classe (a.k.a. profissão, antes que alguém me acuse chamando de "marxista cultural") e que muito provavelmente se indignou com a babaquice de Boris Casoy contra os garis, por exemplo? Será que essa mesma turma acredita que negras trabalhando como babás se sentem inferiorizadas e menos dignas como seres humanos? Ou mais ainda, que ser babá é algo, digamos "inferior"? Algumas pessoas precisam se decidir agora e eu preciso decidir se alguns são preconceituosos de classe (por acharem que alguém trabalhando como babá é algo "menos valioso"?) ou mesmo racistas (por acharem que negros ou negras deveriam se sentir com autoestima baixa por trabalharem como babás). Ou ainda ambas as coisas.
  • Por fim, o que acredito muito e que é ao menos parcialmente um fato, é que as babás estão cagando e andando para essa análise sociológica de botequim.
Enfim, em nome de uma "justiça social" para lá de nebulosa, a solução para alguns é tornar o mundo cada dia um lugar mais chato de se viver. E estão de parabéns por conseguirem isso. Claps, claps, claps...

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