O risco de calote na dívida brasileira é tímido, ainda...

Orçamento do Estado brasileiro em 2014 (Fonte da imagem: A Hora do Povo)
Falar em calote da dívida pública brasileira, parece aos nossos ouvidos hoje alarmismo barato. Entretanto, se observarmos a conjuntura política do país, as condições econômicas do mesmo somadas ao que poderá ser (ou não) a crise chinesa, este é um risco que cada dia que passa a ganhar valores probabilísticos de que venha a ocorrer. Não digo que isso ocorrerá certamente, de fato, o risco hoje é pequeno, mas se o atual impasse político não se resolver, e como consequência disso o ajuste fiscal continuar a ser executado apenas a base de mais tributos e de mais juros, somando-se isto a um possível agravamento da crise chinesa, três anos de Dilma Rousseff e PT poderão nos levar a um possível calote da dívida pública.

Entendamos...Se a crise chinesa se agravar, a economia brasileira terá de escalar um Monte Everest muito maior do que o que já tem de escalar hoje, e com isso veremos o agravamento de nossa situação econômica. A desvalorização do câmbio, com o dólar chegando a 3,60 e sendo vendido a 4 reais em algumas casas de câmbio surtirá efeito praticamente nulo diante de uma China colapsada. A economia chinesa, baseada até presentes dias no investimento, deverá sofrer um giro de 180° e apontar agora para o consumo, com isso, as nossas queridíssimas exportações, tão aguardadas pelos "keynesianos mais keynesianos que Keynes", podem nunca dar as caras... Ao menos não na proporção desejada.

A orientação da economia chinesa deverá sair da importação de commoditties pro setor industrial e passar agora para o setor de serviços, que por definição, faz um uso menor de capital e matéria-prima. Estaremos diante do anti-ciclo que elevou Lula aos céus. Poderemos ver também uma anti-Chimérica. Se antes os chineses poupavam para que os americanos consumissem, agora o contrário pode ocorrer. Se Trump se consagrar mesmo como o candidato republicano, é possível que surja daí uma guinada na economia americana para uma política pró-investimento e menos pró-consumo e como ainda há uma relação simbiótica baseada em empresas privadas e títulos governamentais entre China e Estados Unidos, veremos uma inversão curiosa da quimera econômica muito bem notada pelo professor Ferguson.

Uma anti-Chimérica em tese faria o Brasil dar um giro de 180º na sua política exportadora trocando a China pelos Estados Unidos...Se não fosse por um pequenos poréns...A América tem um meio muito superior ao nosso de conseguir petróleo, uma das commoditties mais valorizadas durante o ciclo iniciado em 2003 e findado em 2009, esse método é o de extrair petróleo do xisto betuminoso. O barril do petróleo valendo pouco, por uma questão muito simples de microeconomia, desincentiva a exportação do produto. Isso para não voltarmos ao fato de que explorar o xisto é mais barato que extrair petróleo do Pré-Sal. Ou seja, uma guinada 180º do nosso setor exportador já não poderia contar nem com as condições de venda do Petróleo (preços elevados) e nem com a venda dele para o Tio Sam. Sobraria o minério de ferro, mas as condições de venda também são muito inferiores às de 2005 e 2006, por exemplo. A anti-Chimérica não seria economicamente muito relevante pro nosso país. É claro que isso pode não acontecer, a depender do movimento chinês, Chimérica pode deixar de existir, pois como eu disse, a segunda-feira negra pode nunca se tornar uma quinta-feira negra, mas sim se transformar numa "crise russa de 1998".

É importante lembrar também, que o Brasil afastou-se do comércio mundial nos últimos tempos e fechou-se no fracassado projeto bolivariano do Mercosul. Fora da bolha de comunismo recauchutado, o Brasil fez 03 míseros (três) acordos bilaterais nesses últimos anos. Todos com países de pouquíssima relevância no Oriente Médio a exceção de Israel. Ou seja, o mercado mundial tem parceiros oferecendo condições melhores que o Brasil. Como se não bastasse isso, ficamos ainda de fora do maior acordo de livre comércio ligado a equipamentos tecnológicos de ponta e de tecnologia da informação dos últimos anos. Tudo isso sob a alegação cepalina de que "no longo prazo será melhor pro país"... Desde a primeira vez que ouvi essa alegação em minhas pesquisas sobre história econômica, e a ouvi em vídeos feitos lá por meados da década de 80, o longo prazo já chegou e o "melhor pro país" ainda não se manifestou entre nós. Gostaria de lembrar aos mui graduados cérebros do governo de que não poderemos culpar David Ricardo e o maldito "neoliberalismo" se não estamos fazendo uso da sua vantagem comparativa.

Aqui em casa...

Aqui dentro a coisa também não ajudaria. Um prolongamento da crise política e os resultados da Operação Lava-Jato prolongariam a crise econômica pelos próximos três anos, mantendo a desconfiança institucional em alta, as ações das empresas brasileiras envolvidas em baixa e graças a isso, ampliando o quadro de baixa arrecadação progressiva, impostos ascendendo progressivamente e juros altos para conter uma inflação que resiste a cair.

Nesse cenário catastrófico, o custo do serviço da dívida que, em 2014 ocupava quase 45% do orçamento cresceria exponencialmente a ponto de alguma ação drástica ser tomada. Não são raros na história os casos de calotes a dívida externa e interna dos países latino americanos. O Brasil fez isso em 1914 e fez isso com Sarney também, a Argentina foi a primeira a estrear a maquina ibero-americana de calotes, de sorte que isso não é nenhuma novidade por essas bandas.

Uma vez admitido esse cenário, é bem provável que no final de 2016 e início de 2017, a inflação deixasse de ser combatida e passasse a ser estimulada como forma de tapear os credores da dívida pagando-os com uma moeda sem valor. Isso basicamente seria simples de se fazer. Basta impulsionar a taxa de inflação a um valor superior ao da taxa de juros real. As especulações sobre um possível retorno da CPMF ligam um sinal de alerta. O governo poderia impor mais taxas sobre o mercado, transações financeiras e, também, sobre o mercado de títulos de modo a estimular que os credores vendam seus títulos ao tesouro para evitar prejuízos. É a lógica do dinheiro!

Com isso, quem financiou o Estado brasileiro ficará a ver navios. Mas não custa lembrar este é apenas um dos muitos mundos possíveis até 2018... Nada disso precisa acontecer, mas... Não custa conjecturar uma hipótese realmente possível, custa? Eu creio que não, aliás como já dizia Thomas Jefferson: "O preço da liberdade é a eterna vigilância", é um preço justo para não estar a "one step to Greece". E nesse caso não há Grexit (ou BRexit) que possa nos salvar.

A ideia de aumentar impostos não apenas revelam uma possibilidade de facilitar a "maracutaia da dívida", mas revela um dado alarmante dos cepalistas invencíveis do governo: Na cabeça deles, aumentar tributos é garantia de receita alta...

...Not so fast, mandioca's queen.

Se analisarmos toda a história da economia, perceberemos que toda a estrutura tributária moderna, nascida de tempos de guerra, sempre foi muito mais eficiente na arrecadação cobrando valores menores em impostos, foi assim que Margaret Thatcher conseguiu ampliar a arrecadação do Estado, mesmo tendo reduzido os impostos asfixiantes dos governos trabalhistas. A relação lógica entre alhos e bugalhos é muito simples e até uma criança de 6 anos é capaz de entender com a mais majestosa perfeição (o que me leva a tirar certas conclusões sobre a capacidade cognitiva de alguns esquerdistas). Quando a taxa de impostos colocada sobre a iniciativa privada é muito alta, a arrecadação cai pelo simples fato de que ou o "burguês" vai sonegar os impostos, ou vai pagá-los e com isso ter cada vez menos recursos para seguir com seus investimentos, sendo por fim ultrapassado pelos seus concorrentes, vendo sua margem de lucro se reduzir substancialmente, e, portanto, pagando tributos cada vez menores. Nosso produtor terá muita sorte se não falir nessa situação.

Eu costumava dizer aos meus amigos em discussões políticas, que no Brasil estávamos presos em 1988 e que portanto o Muro de Berlim jamais havia caído em "Banânia", mas, pelo visto, eu superestimei a mentalidade de nossa brava gente brasileira... Estamos mesmo é presos em 1973. "Estagflacionados" e esmagados pelos tributos. Somos o homem doente da América Latina.

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