Por que Setubal teme o impeachment de Dilma Rousseff?

(Fonte da imagem: Folha de S. Paulo)
É quase tocante ver a preocupação de Roberto Setubal, presidente de um dos maiores bancos privados do Brasil, o Itaú Unibanco, com o atual cenário político-econômico do nosso país. Em entrevista na edição de hoje da Folha de S. Paulo, o banqueiro disse que "não há motivos para tirar Dilma Rousseff do cargo", que as pedaladas fiscais são merecedoras de punição mas não são "motivo para tirar a presidente" e que o impeachment "criaria uma instabilidade ruim para nossa democracia". Confesso que ao ler a matéria quase que sai um suor hétero dos meus olhos. Minto.

Primeiramente, o fato de que "Dilma permitiu uma investigação total sobre o tema" não é nenhum favor. Trata-se de uma obrigação moral e, acima de tudo, legal em qualquer sistema democrático.

Segundo, se antes não se investigava e nem se punia, como dá a entender na fala de Setubal sobre as duas primeiras perguntas (diga-se de passagem, o mesmo discurso da esquerda governista), e agora é diferente, por que não seguir a mesma linha em relação à presidente e, caso elas virem motivo de rejeição das contas no Tribunal de Contas da União, por que não puni-la com a perda do mandato? Seria justamente a prova de que de fato o tratamento em relação à corrupção e ao mau uso dos recursos públicos mudou.

Terceiro, o impeachment é um mecanismo amparado na Constituição. Não sei se o dono do Itaú sabe das regras do jogo, mas elas preveem a saída da presidente do cargo caso se confirme que ela está envolvida nas pedaladas ou na Lava Jato.

Quarto, por mais necessárias que sejam as medidas de Joaquim Levy (mesmo que seja longe do ideal), elas não estão sendo suficientes, como muito bem pontuado pelo meu colega Arthur Rizzi em seu artigo.

Quinto, não é prudente que em pleno ano de ajuste fiscal e alta da Selic para conter a inflação que roça os 10% os bancos públicos sejam utilizados para injetar dinheiro na economia por meio de crédito. Diga-se de passagem, a mesma estratégia utilizada nos últimos quatro anos e que deu no que deu hoje.

Enfim, não entendo o porquê de Setubal ter tanto medo do fim do governo Dilma Rousseff. Ou melhor, entendo se voltarmos um pouco no tempo. Mais precisamente, para 2010.

(Fonte da imagem: Divulgação/Estadão)

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