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Mostrando postagens de Setembro, 2015

O perigo do Brasil se tornar cada vez mais o paraíso de George Soros

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George Soros se assanhou quando em 2009 o Brasil mudou a matriz econômica em resposta a crise, ele sabia que cedo ou tarde a economia brasileira ficaria fragilizada, e economias frágeis são para os grandes especuladores como gotas de sangue caindo num lago lotado de piranhas. O Brasil fez justamente aquilo que Soros esperava: baixou em demasia a taxa de juros, e isso não causou uma desvalorização imediata da moeda pois o país ainda crescia, porém, quando o crescimento artificial baseado em crédito fácil se esgotou, o câmbio começou a se deteriorar lentamente, sendo mantido pelas cada vez mais constantes intervenções do Banco Central. A baixa artificial da taxa de juros inflou a base monetária (M1), o que empurrou a taxa de inflação para cada vez mais perto do teto da meta de inflação (6,5%), e a caminhada a partir de 2013, mesmo diante das evidências de desaceleração da economia, para fazer sua reeleição fez com que Dilma mantivesse os juros baixos, inflando o mercado cada vez mais d…

Conveniências e arrogâncias

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O terceiro trimestre de 2015 chega ao seu final e, como os anteriores, tem se mostrado espetacularmente ruim para a esquerda governista, sobretudo ao PT. De revés em revés, a realidade se mostra de uma forma dura a aqueles que, até então, negavam-na com todas as forças, seja por questão de conveniência, seja por questão de arrogância pura e simples. É claro que alguns ainda insistem em ambas as coisas para não aceitar os fatos como eles são. E é este último caso que pretendo falar neste artigo.
Um exemplo disso foi a repercussão governista da matéria - que já adianto, foi muito mal lida e mal interpretada - do Wall Street Journal sobre a tara de Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, em pintar construir ciclovias ao longo da maior metrópole do país. O trecho que levou a esquerda governista (e por que não dizer parte da não governista) ao delírio fica logo ao início da reportagem:

"If São Paulo’s highly unpopular mayor, Fernando Haddad, were the boss of San Francisco, Berlin or s…

Alguns "conservadores" prestam um desserviço ao conservadorismo com certos discursos

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A polêmica foto de membros do Movimento Brasil Livre (MBL) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e as demonstrações de repúdio do filósofo Olavo de Carvalho continuam dando os seus desdobramentos. Ontem uma matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo mostrou um caso de um membro do movimento sendo atacado de forma rasteira pelo fato de ser homossexual. É evidente que o caso joga mais lenha na fogueira dessa confusão, seja pelo rompimento quase definitivo da aliança - se é que esta de fato existiu - entre liberais, libertários e conservadores, seja pelas trocas de acusações entre esses três grupos. E é neste último ponto que está o gancho para o meu artigo de hoje.
Primeiramente, deixo bem claro que me considero hoje um conservador (creio que a descrição de meu perfil no rodapé de cada post meu seja bem claro quanto a isso), uma vez que considero a liberdade de mercado - algo defendido enfaticamente por liberais e libertários - seja uma condição necessária mas não suficiente…

É só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte

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E finalmente, outro dia tenebroso para a economia brasileira chegou: hoje, o dólar finalmente rompeu a barreira dos R$4,00, inaugurando a maior cotação da história do Plano Real (no momento em que escrevo este post ele está a R$4,04). Considerando minha previsão de que esta marca seria batida até a última sexta-feira (veja aqui o meu artigo escrito em 06/09), errar por dois dias até que não foi tão ruim assim, uma vez que o Banco Central ainda interviu no câmbio em algumas ocasiões nas duas últimas semanas para evitar esta tragédia.

Você come PIB, sim!

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Diante da hecatombe econômica que o Brasil vive, velhos discursos do tempo da eleição voltam a tona, como o famoso #NãoComoPIB, sentença baseada na frase infeliz da petista economista (ela é mais petista do que economista) Maria da Conceição Tavares. A frase é digna de uma ignorância econômica que só poderia mesmo vir de um petista. Explico.
O PIB - Produto Interno Bruto - é erradamente descrito como soma de todas as riquezas do país, isso não é verdade. O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais dentro do país. Sua fórmula clássica é Y(PIB) = C + I + G + (X - M), onde C é o consumo, o I o investimento, o G o gasto do governo, o X a exportação e o M a importação. Em outras palavras, sendo o PIB o resultado de todos os bens e serviços existentes num país, ele inclui obviamente a produção de alimentos, isso é óbvio, logo você come PIB sim. Embora o PIB também inclua outros tipos de bens não comestíveis, como carros, jóias, eletrodomésticos, remédios, etc; todos esses bens permit…

Para alguns, os EUA deveriam ser um dos piores países no quesito corrupção...

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Ontem, o STF bateu o martelo em relação ao financiamento das campanhas eleitorais: é proibido que empresas doem a candidatos e partidos políticos. Ou seja, já para as próximas eleições, em 2016, esses poderão contar apenas com os recursos do fundo partidário e doações de pessoas físicas. A alegação principal de alguns, quando se costuma discutir isso é que essas doações na verdade são investimentos e que isso acaba estimulando episódios de corrupção. Alguns, inclusive, defendem o financiamento exclusivamente público de campanha como solução. Mas será mesmo uma solução?
Em abril de 2014, a Suprema Corte dos EUA, a mesma que este ano causou um frisson nos progressistas por declarar inconstitucional as leis estaduais que não reconheciam o casamento entre pessoas do mesmo sexo, adotou um caminho inverso: além do financiamento de empresas continuar livre, doadores individuais podem, sem qualquer teto, bancar campanhas para as corridas ao Congresso e à Casa Branca. Pela lógica de alguns, e…

O Partido Novo, segundo o universo paralelo da Carta Maior

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Muitos cientistas, ainda sem muito sucesso, tentam descobrir uma forma de se chegar aos universos paralelos ao que nós vivemos. Mas, sinceramente, não entendo o porquê de tanto esforço. Afinal, os esquerdistas, há um bom tempo, já descobriram um universo paralelo e, de certa forma, fazem suas análises com base nele. A tese do "neoliberalismo de Estado" da Carta Capital é um belo exemplo disso.
Mas hoje irei falar um pouco da matéria da Carta Maior sobre o Partido Novo, legenda que, na noite da última terça-feira, recebeu o registro do TSE, podendo já lançar candidatos às eleições municipais de 2016. Alguns trechos da matéria publicada pela jornalista Najla Passos merecem destaque:
"Formado genuinamente por universitários que, desde a redemocratização, escutam o mantra neoliberal que tomou conta da academia brasileira, os “sócios” do NOVO são favoráveis ao estado mínimo, praticamente sem nenhuma função social."

Ponte para Teramérdia

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O governo tanto fez e ao mesmo tempo tanto não fez que a cada minuto que passa o país se aproxima mais dos portões do inferno, e para nosso infortúnio, cada vez mais os gritos de terror das almas torturadas no caos econômico se fazem audíveis e se mesclam com as risadas sádicas dos demônios da crise profunda. Nada - repito - absolutamente NADA do que estamos passando agora era necessário passar. O governo fraudou informações, destruiu a Lei de Responsabilidade Fiscal, gastou demais, se valeu de truques eleitoreiros como o falso pagamento da dívida externa com o FMI (pagamento de uma dívida com 4,5% e juros anuais através de um endividamento interno com valor de 7%, que hoje, atinge 14,25%), os preços represados...Enfim, o festival de besteiras iria inevitavelmente cobrar seu preço. 
E cobrou!
E doeu!

Qual dos vários Krugmans é confiável?

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O Paul Krugman da entrevista de ontem da Exame:
"Não tenho dúvida de que a situação é difícil. No entanto, acho que descrevê-la como uma tempestade perfeita é muito forte. O Brasil não está vulnerável da mesma forma que já esteve no passado. A situação brasileira também não se compara à dos países europeus há poucos anos. Claro que não ajuda em nada ter uma crise política no meio de tudo isso.
Também é ruim que os Estados Unidos estejam falando em aumentar os juros exatamente quando o preço das commodities está em colapso, uma queda de uma magnitude que, por sinal, quase ninguém conseguiu prever. Seria uma tolice negar a gravidade da situação. Mas o endividamento do país não é crítico, e o setor privado não parece tão exposto à desvalorização do real. A crise brasileira é gerenciável."
É o mesmo Paul Krugman que disse, no dia 20/03/2014, em um evento promovido pela Carta Capital:

Cheiro de necrose política no ar

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Após a queda do grau de investimento do Brasil para o nível "junk" pela Standard and Poor's, a grande pergunta que surge a seguir é: Quando a Moody's fará o mesmo? Não que isso venha a fazer muita diferença pelo lado econômico, afinal, se a queda pela Standard and Poor's já era aguardado por metade do mercado, agora o rebaixamento pela Moody's é só uma questão de tempo e é uma certeza. 
Nada de mais grave deverá acontecer diante desse "re-rebaixamento", mas servirá para ratificar o caos econômico criado pelo manteguismo. Acumular o rebaixamento da Standard and Poor's e da Moody's pode ser encarado como uma situação análoga a dos incontáveis Doutor Honoris Causae recebidos por Lula sem nunca ter escrito nem mesmo uma redação de Ensino Fundamental. A diferença é que, se os prêmios acadêmicos de Lula supostamente estariam premiando uma inteligência prática, o "re-rebaixamento" estaria premiando a burrice prática do governo e sua hord…

A manteguização de Joaquim Levy

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Na última quarta-feira, um dos dias mais temidos para a economia brasileira chegou: o país teve seu rating rebaixado pela Standard & Poor's e acabou perdendo o grau de investimento. Esta perda do selo de "bom pagador" terá diversas consequências negativas para a economia, entre elas, o aumento dos juros para o pagamento da dívida, fuga de investimentos que dependem deste selo, mais pressão sobre a cotação do dólar (que ontem chegou a bater os R$3,90, mas as intervenções do Banco Central levaram a moeda a R$3,85), acarretando uma pressão ainda maior sobre a inflação (seja através dos preços de insumos e produtos importados, seja por meio da redução da oferta de produtos para o mercado interno), que, por sua vez, imporá uma maior pressão sobre os juros. Resumindo: caímos em um ciclo vicioso do qual sair será muito mais difícil, principalmente se levarmos em conta que podemos encarar, no cenário internacional, uma alta dos juros pelo Fed e a implosão econômica da China…

Investir em infraestrutura também é investir nos mais pobres. Ou: o pensamento míope de Lula

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No ano passado, em pleno calor da disputa eleitoral, escrevi um artigo neste blog em que critiquei o falso dilema entre preocupar-se com a economia e preocupar-se com a área social, procurando deixar claro que é simplesmente impossível preocupar-se com o último sem pensar no primeiro. Da mesma forma, pensar em curto prazo sem pensar no longo pode simplesmente colocar ambos a perder.
Infelizmente, porém, governos e políticos populistas não pensam assim e, mesmo com todos os problemas gerados por suas visões míopes, não aprendem. É o caso do ex-presidente Lula, que, em uma palestra no Paraguai, resolveu demonstrar em seu discurso essa visão:
"É verdade que eu poderia fazer uma ponte, uma estrada, mas entre cuidar de 54 milhões de pessoas que estão passando fome e fazer uma estrada, a estrada pode esperar que essas pessoas comam, fiquem fortes e ajudem a construí-la", afirmou, em português misturado a algumas palavras em espanhol. "Se fizesse a estrada, essas pessoas morre…

O pensamento não-binário como mentira política: entre a utopia e a distopia

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Post originalmente escrito por Octávio Henrique para o Apoliticamente Incorreto. Caso queira publicar seu texto neste blog, mande um email para produtivominuto@gmail.com.
Pode-se dizer que o debate político está, atualmente, sendo travado por três tipos de brasileiros. De um lado, o esquerdo, temos PT e seus lacaios e linhas-auxiliares dando PT (perda total) em um monte de tópicos e, ainda assim, se mantendo no poder. Do outro, o direito, temos olavetes, bolsonaretes, constantinetes e todo tipo de “silly fool” que, na hora H, não consegue esconder seu conservadorismo moralista, acaba falando demais e perde mais e mais leitores.
Há, no entanto, no meio desse fogo cruzado, a galera que se pronuncia contra o pensamento binário, com a qual, pensaria meu leitor descuidado, eu me alinharia ou deveria me alinhar. É, até que a eles eu me alinharia… só que não.
As faces da mentira e o fantasma totalitário
Explico: primeiro, é óbvio que, como um apolítico declarado, nem o esquerdismo em sua face ma…

Perguntar se o dólar vai passar de 4 reais não faz mais sentido. A questão é quando, quanto e como

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Em mais uma semana caótica para a economia brasileira, o dólar continua seguindo sua perigosa escalada: de R$3,63, na segunda-feira, a moeda norte-americana bateu a cifra de R$3,86 na última sexta-feira, maior valor de fechamento desde 23 de outubro de 2002, quando FHC ainda era presidente e o maior temor de então era justamente a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Não menos importante: a moeda se valorizou mais de 45% em relação ao real desde o início deste ano. E, levando em conta os cenários, seja o interno, com as crises econômica, política e institucional em andamento simultâneo, seja o externo, com o indicativo de que o Federal Reserve dos EUA pretende subir a taxa básica de juros, quem espera um "refresco" para o inferno astral de nosso país deve preparar a pipoca e o guaraná, pois estamos ainda no começo.
Sendo assim, perguntar se o dólar irá ou não romper a barreira dos R$4,00 - a cotação mais próxima disso, por sinal, foi de R$3,96, em 22…

O colapso de Brachina

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Se o professor Niall Ferguson cunhou o termo Chimérica para falar da simbiose entre a economia chinesa e americana, aproveito aqui para criar o termo Brachina para falar de uma relação, não tanto simbiótica, porém extremamente importante desde 2004 para o nosso país e que entrou em crise depois de 2008. Ao que tudo dá a entender, Brachina colapsou de vez. A China possui um projeto geopolítico ousado e, como consequência, um projeto econômico desenvolvimentista que fez com que ela necessitasse a todo custo de commodities, e o Brasil, um do maiores produtores mundiais de commodities, obviamente, surfou nessa onda. Basicamente, quase todo o sucesso econômico da era Lula (se não todo) se deve unica e exclusivamente a China que consumiu a quantidades epopeicas commodities brasileiras a preços que se encontravam no seu patamar mais alto em toda a história da economia até então registrada.
Agora que a Bolsa de Xangai desmorona e que a China entra na bifurcação entre o crescimento moderado d…

Experiência socialista na Grécia com os dias contados?

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Em pouco mais de sete meses de Syriza no poder, a Grécia viveu um dos períodos mais caóticos de sua Terceira República: controle de capitais, filas nas portas de bancos, escassez (ou rumores desta) de produtos básicos (como medicamentos e gasolina), calote no FMI (e quase calote no restante da troika), iminência de saída da zona euro (com consequências para lá de imprevisíveis) e, para variar, intimidação a jornalistas. Situações essas que, combinadas ao todo (ou em parte), seriam perfeitamente críveis de acontecer em países com governos socialistas. Nos nossos vizinhos sul-americanos, pelo menos um ou dois dos itens citados já acontecem há algum tempo. Mas, felizmente, a curta experiência socialista no país helênico pode estar chegando ao seu final.
Porém, antes de eu comentar sobre o fato, é importante que eu faça um mea culpa em relação a um artigo que escrevi neste blog há 15 dias, no qual eu afirmava que a manobra de Alexis Tsipras de pedir um voto de confiança no Parlamento (e …

Poderia 2016 ser ainda mais desastroso para a economia brasileira que 2015?

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Que 2015 é um ano perdido para o Brasil na economia, isso todos sabem, até mesmo o governista mais fanático. E, tanto entre "coxinhas" como entre "petralhas", se desenha o consenso de que 2016 seguirá o mesmo caminho, apesar de que há a expectativa de que no próximo ano o tombo será menor e que, se tudo der certo, os trimestres finais darão um sinal de que em 2017 o país voltará a crescer (muito vagarosamente, mas vai). Mas, diante dos últimos acontecimentos políticos e econômicos tanto em nível nacional como internacional - neste último caso com o estouro de uma crise financeira na China (por sinal, abordado tanto por mim como por meu colega Arthur Rizzi) - vem a pergunta: poderia o ano seguinte não só ser mais um ano de recessão, mas também ser uma catástrofe ainda maior que este ano?
O meu humilde palpite: sim, poderia. Sim, há razões para pensar nisso. Não, as chances deste "princípio das dores" se transformar em "grande tribulação", num se…