É só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte

(Fonte da imagem: Midiamax)
E finalmente, outro dia tenebroso para a economia brasileira chegou: hoje, o dólar finalmente rompeu a barreira dos R$4,00, inaugurando a maior cotação da história do Plano Real (no momento em que escrevo este post ele está a R$4,04). Considerando minha previsão de que esta marca seria batida até a última sexta-feira (veja aqui o meu artigo escrito em 06/09), errar por dois dias até que não foi tão ruim assim, uma vez que o Banco Central ainda interviu no câmbio em algumas ocasiões nas duas últimas semanas para evitar esta tragédia.

A despeito dos relinchos da galera que "não come dólar" (certamente não comem pão francês também, que é produzido com trigo importado, só para exemplificar), os impactos desta valorização sem precedentes da moeda americana frente ao real, como mostrado no artigo da economista Renata Barreto no portal Breaking Goods, são diversos: produtos importados ou que dependem de matéria-prima importada ficarão mais caros (pressionando os já altos índices de inflação) e o endividamento das empresas que realizam transações em dólar irá crescer (pressionando ainda mais os índices de desemprego, posto que haverá a necessidade de mais cortes de gastos, e a folha de pagamento normalmente é a primeira coisa a se mexer). Acrescentaria ao artigo da Sra. Barreto o fato de que as empresas que vendem a mesma gama de produtos tanto para o mercado interno como para o exterior preferirão a segunda opção, o que reduz a oferta para o país. Menos oferta para uma demanda que não cai por igual levará a mais pressão nos preços (pela famosa lei de oferta e procura) e, consequentemente, teremos mais inflação.

Mas a situação pode piorar? Sim, pode e vai piorar. O ajuste fiscal segue camboto e com grandes chances de ser desfigurado pelo Congresso. A crise política, que continua sendo o principal fator da derrocada da economia brasileira em 2015 (e pelos próximos anos), pode levar a moeda norte-americana a R$ 5, caso se intensifique. Afinal, se já estamos em uma zona desconhecida, por que não adentraríamos ainda mais nela?

Enfim, como diria a cantora e pensadora contemporânea Vanessa da Mata: é só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte...Talvez com um tom mais melancólico que o da música.


Ah, não custa nada lembrar as palavras do indefectível ex-ministro da Fazenda Guido Mantega: vai quebrar a cara quem apostar na alta do dólar.

(Fonte da imagem: VEJA)
UPDATE (22/09 - 18h19): O dólar fechou cotado a R$4,05.

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