O colapso de Brachina

(Fonte da imagem: políticaexterna.com.br)
Se o professor Niall Ferguson cunhou o termo Chimérica para falar da simbiose entre a economia chinesa e americana, aproveito aqui para criar o termo Brachina para falar de uma relação, não tanto simbiótica, porém extremamente importante desde 2004 para o nosso país e que entrou em crise depois de 2008. Ao que tudo dá a entender, Brachina colapsou de vez. A China possui um projeto geopolítico ousado e, como consequência, um projeto econômico desenvolvimentista que fez com que ela necessitasse a todo custo de commodities, e o Brasil, um do maiores produtores mundiais de commodities, obviamente, surfou nessa onda. Basicamente, quase todo o sucesso econômico da era Lula (se não todo) se deve unica e exclusivamente a China que consumiu a quantidades epopeicas commodities brasileiras a preços que se encontravam no seu patamar mais alto em toda a história da economia até então registrada.

Agora que a Bolsa de Xangai desmorona e que a China entra na bifurcação entre o crescimento moderado dos meros mortais e a desgraça econômica total, ela decide apostar no mercado de bens e serviços tirando de vez da boca do Estado brasileiro, as porções cada vez menores dos resquícios ainda vivos do ciclo iniciado pela China em 2004. Em outras palavras, apesar do real estar valendo cada vez menos, cada vez menos exportamos pra China, e se o caminho da desgraça "chimericana" prosseguir inalterado com seu curso apocalíptico, o Brasil pode esquecer as esperanças de uma recuperação breve.

Aqui em Banânia, por alguma razão que me escapa, essa perspectiva deveria estar despertando mais preocupação do que de fato está despertando, pois se o corte de investimentos, os impostos e os juros (única parte do ajuste fiscal que foi colocado em prática) já estão causando desemprego, a falta de compradores a preços razoáveis dos excedentes podem tornar o inferno mais quente que o de costume. Peço agora que o caro leitor se sente porque lá vem bomba. A política de salário mínimo, como já é sabido, aumenta ligeiramente o número de desempregados, mesmo quando está sendo progredido em seu valor responsavelmente. Mas, a situação tenderá a se tornar muito pior nos próximos anos, pois o salário é reajustado por uma correlação entre a média de crescimento do PIB nos últimos dois anos e da média de ascensão da inflação do ano anterior. Pois bem, o crescimento 2014-2015 será negativo, porém, a inflação chegará a 10%, o que significa em outras palavras, que o país vai aumentar entre 9 e 10% o valor do salário-mínimo num ano em que a produtividade agregada da força de trabalho encolheu como um todo e em que os impostos e as taxas de juros estão impedindo qualquer investidor de criar alguma nova empreitada econômica.

Se Brachina acabou, sobrando apenas Brasil e China separados, posso te garantir caro leitor que se nada for feito urgentemente 2016 baterá todos os recordes de desempregados em nossa história recente. Por outro lado, o caso ainda não é finito, parte considerável dos gastos brasileiros que extrapolam a receita e o crescimento são oriundos de um pacote de bondades criados no governo Lula 2 e Dilma 1 que estão todos indexados, assim como o salário mínimo ao crescimento do PIB. Em outras palavras, não adianta o Brasil por milagre crescer 5% ao ano, mesmo que tal proeza divina ocorra, os pacotes de bondade sobem de preço na mesma proporção. O problema continua. E, com o governo sem apoio, fica difícil reformar a estrutura do país na área fiscal. Haja saco!

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