O perigo do Brasil se tornar cada vez mais o paraíso de George Soros

(Fonte da imagem: The Blaze)
George Soros se assanhou quando em 2009 o Brasil mudou a matriz econômica em resposta a crise, ele sabia que cedo ou tarde a economia brasileira ficaria fragilizada, e economias frágeis são para os grandes especuladores como gotas de sangue caindo num lago lotado de piranhas. O Brasil fez justamente aquilo que Soros esperava: baixou em demasia a taxa de juros, e isso não causou uma desvalorização imediata da moeda pois o país ainda crescia, porém, quando o crescimento artificial baseado em crédito fácil se esgotou, o câmbio começou a se deteriorar lentamente, sendo mantido pelas cada vez mais constantes intervenções do Banco Central. A baixa artificial da taxa de juros inflou a base monetária (M1), o que empurrou a taxa de inflação para cada vez mais perto do teto da meta de inflação (6,5%), e a caminhada a partir de 2013, mesmo diante das evidências de desaceleração da economia, para fazer sua reeleição fez com que Dilma mantivesse os juros baixos, inflando o mercado cada vez mais de moeda. 

As constantes - e desastradas - intervenções, junto com o isolacionismo petista, que enclausurou o Brasil cada vez mais no Mercosul, começaram a afastar os investidores estrangeiros produtivos, fator que ajudou a diminuir o estoque de dólares em circulação no país, apreciando o câmbio e ajudando a taxa de inflação a ficar roçando o teto da meta. O resultado maior desse processo foi o "PIBinho", crescimento minúsculo ou nulo. O caminho ao rebaixamento do grau de investimento começou lentamente e a princípio despretensioso, sem causar grandes ameaças ao investidor médio, porém, para os big heads do  mercado, aquilo era sinal de uma deterioração inevitável.

A medida que o cidadão investidor médio começava a estocar dólar e colocar real em circulação, a probabilidade da inflação passar do teto da média era certa, tanto que, para evitar em 2014 o resultado ruim de uma inflação acima de 6,5%, o governo decidiu congelar o preço da energia elétrica e da gasolina, quando o preço de mercado estava mais alto que o praticado no mercado interno. Os prejuízos acumulados por ambas as estatais (A Petrobrás em especial como sendo a maior empresa brasileira) e as crescentes denúncias de corrupção continuaram a piorar a situação da confiabilidade dos investidores no país. Se ontem tudo poderia ser pontuado como intriga da oposição, hoje, ao olhar da história econômica, o cenário mostrava claramente o caso a que chegaria. 

Hoje, em 2015 a situação esta totalmente a mostra e a desconfiança no Brasil chegou a tal monta que o país foi rebaixado a categoria junk, o grau especulativo, fazendo o real se maxi-desvalorizar. Diante disso o que o governo decidiu fazer? Queimar suas reservas cambiais para recomprar parte dos reais em circulação, retirando a moeda local e inserindo dólares na economia.

Você deve se perguntar onde George Soros entra nessa história...Bem, quem quiser conhecer a história de como George Soros ganhou um bilhão de dólares apostando contra o Banco da Inglaterra (Niall Ferguson conta essa história em "A Ascensão do Dinheiro", além de Alexandre Versignassi em "Crash! - Uma breve história da economia"), sabe que a situação brasileira, embora mais grave, neste aspecto muito lembra a situação da Inglaterra em 1991. Se o Brasil sempre foi um ponto de alegria de George Soros desde que ele surgiu como megainvestidor, hoje, na atual situação, o Brasil é um grande motivo de alegria, mais do que nunca. Dúvidas? Confira o valor da Selic.

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