Desenvolvimentistas, uma vez mais, câmbio desvalorizado não desenvolve país!

(Fonte da imagem: Arabian Business)
Eu já havia falado em outra postagem que moeda fraca não é garantia de desenvolvimento como dizem os desenvolvimentistas, mas ao que parece eles não se convencem. Não faltam os que vibram com a derrocada do real frente ao dólar pois supostamente fariam nossos produtos muito atrativos e seriam a chave do desenvolvimento econômico do Brasil. Eu só tenho uma má notícia. Como a China, nossa maior parceira comercial está indo a largos passos "pras cucuias", pode esquecer o show de exportações. Os benefícios das desvalorizações cambiais são apenas episódicas e insuficientes, e, para piorar, quando associada ao dirigismo econômico, a chance maior é a de se criar uma enorme inflação de custos dirigida por cartéis. E, bem, é basicamente um cenário que já aconteceu em vários países.

Se fosse por inflação e desvalorização do câmbio que um país crescesse, o Brasil mesmo deveria ser potência! Basta pensar que até Bretton Woods, o padrão-ouro era a norma e o Brasil não tinha um verdadeiro padrão-ouro.

De acordo com Versignassi (2011, p. 215) nossa economia na década de 20 e 30 era simplória, "consistia basicamente em exportar café, receber o pagamento em moeda estrangeira lastreada em ouro e usar essa moeda estrangeira para importar todo o resto", além - é claro! - de usá-la como reserva cambial. O Brasil basicamente era pobre demais para ter ouro como reserva, não apenas pela escassez do ouro, mas também pelo simples fato de que até mais ou menos nesse periodo, o Brasil era mais liberal que os países ditos "liberais". Ou seja, a moeda corrente no Brasil tinha como lastro não o ouro, mas moedas lastreadas em ouro, o que equivale a dizer na prática que o real (primeira moeda brasileira, chamada de conto de réis a época) não tinha valor quase nenhum. A nossa moeda foi moeda fraca basicamente durante toda a nossa história. Quando o real original foi substituído pelo Cruzeiro, era necessário 1 cruzeiro para comprar mil réis.

E, até onde tenhamos conhecimento, o Brasil não era lá essas coisas naquela época. Eramos um país agrário, desigual, pobre e analfabeto. O melhor período de desenvolvimento econômico da história republicana do ponto de vista econômico foi o milagre econômico do Regime Militar, mas do ponto de vista social foi o período pós-plano real. A diferença é que, enquanto no primeiro o PIB cresceu, a desigualdade também cresceu. No segundo, o PIB cresceu um pouco menos, mas a desigualdade caiu substancialmente. A um olhar realista percebemos que em ambos muitas pessoas deixaram a extrema pobreza, mas foi no segundo em que essa ascensão foi mais equilibrada, de modo que o desenvolvimento nesse período foi mais saudável do que o do regime militar do ponto de vista econômico, político e social.
(Fonte da Imagem: Brasil, Economia e Governo)

A pergunta que faço é: Em qual dos dois momentos a moeda esteve fraca e desvalorizada? Sim, o dos militares. E em qual dos dois estava valorizada? Sim, o período FHC-Lula! Esse não é um caso isolado na história, desde o Império Romano moeda desvalorizada e fraca é mau sinal ao invés de bom. Mas, sabe como é que é, cabeça de desenvolvimentista da UNICAMP é como aço, difícil de atravessar.

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VERSIGNASSI, Alexandre. Crash! Uma breve história da economia. São Paulo: Leya, 2011.

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