Em nome da causa vale absolutamente tudo

(Fonte da imagem: Folha de S. Paulo)
Não é a primeira vez que abordo a questão dos "urubólogos do bem", que são, basicamente, aqueles pretensos defensores de minorias (ou de "oprimidos") que, na verdade, preferem a ocorrência de mais situações que permitam a vitimização desses grupos justamente para atacar a "direita conservadora", os "fundamentalistas", os "fanáticos religiosos" ou qualquer outro espantalho que não defenda o que eles defendem. Neste blog, por exemplo, falei duas vezes sobre o assunto (ver aqui e aqui), e no espaço deste na plataforma Medium discorri outras duas vezes (ver aqui e aqui). Enfim, a última coisa que essas pessoas querem é que as "carniças" deixem de existir, pois então eles se tornariam completamente inúteis na política ou na opinião pública brasileira.

Hoje, uma matéria da Folha de S. Paulo, intitulada "Travestis combatem 'Jair Malafaia' e 'Eduardo Feliciano' em filme", mostra o lançamento de um curta-metragem que será lançado no dia 20 deste mês. Neste filme, travestis se unem para combater, em 2020, uma ditadura religiosa, comandada pelo chanceler Eduardo Feliciano e pelo general Jair Malafaia. Os nomes, evidentemente, fazem referências a Eduardo Cunha, presidente da Câmara; Marco Feliciano, deputado federal; Jair Bolsonaro, também deputado federal; e Silas Malafaia, pastor e importante liderança no meio evangélico.

No desenrolar da matéria, como dito no primeiro parágrafo deste post, houve a narrativa que alguns já conhecem: ataques à "direita conservadora" que quer um "país que não tenha gay mesmo", algo quase do nível de "comunista come criancinha", só que de sinal trocado. Mas um trecho da matéria da Folha me chamou a minha atenção. Transcrevo abaixo:

"Travestis se unem para combater o regime e libertar seu povo. Bill Santos, candidato a deputado federal pelo PSOL-SP nas últimas eleições, interpreta Veronika Stronger.

"É uma homenagem a Verônica Bolina, travesti que foi torturada pela Polícia Civil de São Paulo", diz Santos.

Refere-se à travesti que ficou desfigurada após apanhar na cadeia, em abril. Na ocasião, Verônica ratificou a versão policial do caso: "Possuída pelo demônio", teria recebido uma surra de outros presos e arrancado a dentadas a orelha de um carcereiro."

Quem tem memória curta ou preguiça de pesquisar no Google vai imaginar que a Verônica Bolina é praticamente uma mártir na luta contra a homolesbotransfobia (!). Felizmente, claro, tanto a memória como o "pai dos burros", bem como o último link do primeiro parágrafo, podem nos ajudar a lembrar quem, de fato é a Verônica Bolina:

Afinal, quase matar uma idosa foi um mero detalhe. (Fonte da imagem: Divulgação/R7)

Outro "mero detalhe". (Fonte da imagem: Divulgação/Folha de S. Paulo)

Longe de mim querer defender o "quarteto fantástico" que o Sr. Ivan Ribeiro (diretor do filme) quer atacar, mas acredito que, para o apoio de qualquer causa, uma apresentação minimamente honesta dos fatos é fundamental. O que, por sinal, não é o caso. Ou alguém aqui realmente pensa que o fato da mesma Verônica ter espancado e quase assassinado uma idosa (que, para sorte desta, foi salva por outra travesti) ou de ter atacado um carcereiro que tentou evitar que ela fosse espancada por colegas de cela é simplesmente um detalhe que pode ser ignorado para uma tomada de opinião, e, mais ainda, torná-la digna de receber homenagem em um filme? Trata-se de um cinismo e de uma inversão de gravidades que, a meu ver, é bastante perigosa. Isso sem contar que tira completamente a credibilidade de todos aqueles que lutam pela causa LGBT (caso da matéria da Folha), inclusive aqueles que não se valem do mesmo expediente do diretor do curta-metragem.

Por último, mas não menos importante: a mesma turma que fica horrorizada com um "compreensível" da Rachel Sheherazade ou com a recordação que Bolsonaro faz de sua discussão entre ele e a deputada Maria do Rosário agora defende o enfrentamento com armas aos seus "inimigos"? Bom saber (quem quiser basta ver o trailer abaixo)...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não, Juan Arias. Dilma não se transformou

Dando-se tempo ao tempo: cadê as vantagens do porto de Mariel?

O perigo do Brasil se tornar cada vez mais o paraíso de George Soros