Mais um tiroteio, mais um choradinho desarmamentista

(Fonte da imagem: CNN)
Certas coisas dão até preguiça de comentar por serem tão previsíveis, mas como por aqui temos que argumentar certas obviedades, vamos lá: ontem, um atirador abriu fogo em uma universidade no estado americano do Oregon, matando 15 pessoas e ferindo outras 20. Após isso, o assassino acabou morto pela polícia. Para variar, depois do caso, Barack Obama, presidente do país, defendeu o controle de armas no país, questionando como alguém "pode argumentar que mais armas trarão mais segurança". E para variar, aqui, onde a discussão sobre o armamento da população ainda é um tabu, notícias como essa são para os desarmamentistas como uma gota de sangue em um lago infestado de piranhas.

Mas, como disse no título, para um tiroteio, um choradinho. E os fatos, mais uma vez, não ajudam muito a narrativa desarmamentista. Cito apenas alguns:

Primeiro, o Oregon, estado onde ocorreu a tragédia, não é um dos estados mais armados do país. Muito pelo contrário. De fato, é um dos estados onde menos se mata no país (2,0 homicídios a cada 100 mil habitantes), mas estados mais armados como Idaho, Utah, Hawaii e Iowa matam-se ainda menos, e são mais armados (sendo que o primeiro dos quatro citados tem mais que o dobro de posse de armas que o Oregon).

Segundo, como disse em um artigo publicado há pouco mais de um mês neste mesmo blog, os EUA, em termos proporcionais, não é o país onde ocorre mais incidentes de tiroteios em massa nem mesmo tem mais mortes decorrentes disso. É claro que alguns poderão argumentar usando termos absolutos, mas é importante lembrar que os norte-americanos são hoje a terceira população mundial, então, é razoável imaginar que teremos mais notícias desses incidentes e dessas tragédias vindo dos EUA do que da Noruega, Sérvia e Macedônia, países menos armados e que, em termos proporcionais (mortes por milhão), morrem mais pessoas.

Para finalizar, outro elemento previsível: na universidade onde ocorreu a chacina, a posse de armas no campus é proibida. Eu sei que isso é óbvio, mas não custa nada ressaltar: trata-se de mais uma chacina em uma gun-free zone. Também sei que isso é óbvio, mas não custa nem um pouco lembrar: alguém que vai matar alguém não vai se importar em estar fora da lei por usar uma arma de fogo na sua hecatombe.

Enfim, o discurso desarmamentista, inclusive o de Obama, sobre isso, não passa de um choradinho.

UPDATE (02/10 - 09h01): Já que o presidente dos EUA se importa tanto com a opinião pública sobre o assunto, por que ele não confere os dados da pesquisa do Pew Research Center sobre a questão do armamento? Ah sim, porque muito provavelmente ele não falaria o que falou...

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