O Brasil (ainda) está salvo do nocaute pelo gongo

(Fonte da imagem: Espaço English)
Se a economia brasileira fosse um lutador de MMA, a melhor expressão para as últimas semanas seria o ground n'pound, quando se derruba o adversário e aplica uma sequência de socos e cotoveladas até o juiz parar o combate. E, como escrito tanto por mim como por meu colega Arthur Rizzi neste blog - ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui - tal analogia não me parece nem um pouco exagerada.

Mas, como nas lutas, o gongo parece ter soado para o nosso país, encerrando mais um - de vários rounds - da crise político-econômica que nos castiga desde o início deste ano e, por sua vez, evitando um nocaute. Desde a última quinta-feira o dólar fecha em queda e, ontem, a Moddy's, agência de classificação de risco, decidiu não mexer no rating do Brasil no curto prazo, apesar de alertar sobre uma piora caso o ajuste fiscal falhe e sobre a piora na qualidade do crédito devido à deterioração da situação nacional. Considerando a série de notícias catastróficas dos últimos meses, os recentes dias foram, de certa forma, um alívio. Ah, antes que eu me esqueça: tivemos ainda a tão falada "reforma ministerial", na qual Dilma deixou bem claro que pretende chegar "viva" ao final do mandato, mesmo que, para isso, ela tenha de cortar os braços e as pernas.

Só que temos um pequeno problema: como alertado pela Moody's e pelo FMI - que, diga-se de passagem projeta uma retração de 3% para o nosso PIB (isso inclusive nos fará descer para o posto de nona economia mundial) - e por outras instituições da área econômico-financeira, não estamos nem de longe no último round. E o próximo pode começar tão logo quanto possível, caso o STF não aceite suspender o julgamento das contas do governo Dilma pelo TCU, sendo que, no caso de rejeição, poderá sustentar um processo de impeachment da presidente. Ou, ainda, na ação do TSE que investiga a campanha da mesma, que, caso detecte irregularidades, levará igualmente à perda do mandato. Isso sem falar na pressão cada vez maior do PMDB no Congresso.

Enfim, neste estado de coisas, esperar que o país vá à lona, seja no aspecto político, econômico e/ou social, é perfeitamente razoável. Só resta, claro, saber quando.

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