O que dá para fazer com R$ 106 bilhões?

Diferentemente de pedalar na bicicleta, pedalar nas contas públicas não é nada saudável. (Fonte da imagem: Folha de S. Paulo)
Ontem, como se não bastassem todas as bombas que o governo Dilma Rousseff pegou neste primeiro ano de segundo mandato (citei algumas delas aqui), veio mais uma dor de cabeça, e esta está mais para uma crise de enxaqueca: o Tribunal de Contas da União (TCU), por unanimidade, aprovou um parecer recomendando ao Congresso a rejeição das contas de 2014 da presidente. Tal reprovação, a primeira desde 1937, se deve a uma distorção de R$ 106 bilhões encontrada na execução orçamentária do governo. Agora, caberá ao Planalto tentar se articular para que, em última instância, não saia o impeachment. Até porque não falta mais a "razão jurídica" para isso.

Mas, enquanto Dilma se vira para evitar que sua cabeça vá a prêmio no ano que vem, temos uma pergunta a vocês, leitores: o que dá para fazer com os R$ 106 bilhões "pedalados" no ano passado? Este artigo terá a finalidade de dar algumas respostas a respeito desta pergunta que é uma das mais intrigantes para a humanidade, que, em solo tupiniquim, gostaria de estocar vento como nossa presidente gostaria de estocar.

Mas, enfim, voltemos ao ponto: uma das primeiras coisas é que, com esse dinheiro pedalado, daria para cobrir com sobras a meta de superávit primário deste ano. E não estou falando da "metinha" (desculpem a cacofonia, mas foi proposital) de 0,15% configurada em julho deste ano, e sim da meta inicial, de R$66,3 bilhões. Mais precisamente, cobriria pouco mais de uma vez e meio o valor inicialmente previsto da economia que o governo precisa fazer para pagar os juros da dívida pública. Pois é, para um país que viu seu selo de bom pagador ir embora após a apresentação de uma peça orçamentária com déficit, essa grana faz uma falta e tanta...

Comparando com o orçamento dos ministérios no ano passado, estes R$ 106 bilhões caberiam no Ministério da Saúde (e ainda sobraria uns R$ 6 bilhões de "troco"). Ou bancaria as pastas de Educação e da Fazenda. Ou ainda daria para cobrir a Defesa e o (não muito útil) Ministério das Cidades, e ainda sobraria uns R$ 8 bi para fazer fogueira.

Ou dá ainda, por exemplo para comprar 85% da Petrobras em seu valor atual de mercado. Ou, então, dá para comprar a Vale em seu valor atual de mercado (ações cotadas na bolsa de NY), e ainda sobraria uns R$ 18 bilhões, que por sinal, é maior que o Orçamento para 2016 do Espírito Santo, estado onde moro.

Também dá para bancar pouco mais de quatro Copas do Mundo iguais a do ano passado, ou, se pensarmos nos estádios da competição, dá para construir 59 Manés Garrincha...Um para cada capital e ainda sobraria outros 32 para espalhar em outras cidades. Ou, se pensarmos nas Olimpíadas do ano que vem, dá para sediar umas três edições com todo esse dinheiro pedalado.

Se pensarmos em impostos, isso dá aproximadamente a arrecadação do país em apenas três semanas, tomando como referência o Impostômetro. Ou quase dois meses e meio de sonegação de impostos, baseado no Sonegômetro. Ah, e por falar de sonegação...Isso dá 564 vezes o dinheiro bloqueado do Neymar (joga muito esse menino Neymar)...

E se quiséssemos dividir essa grana entre todos os brasileiros. Bem, cada um teria R$ 520 para gastar. Melhor ainda, para investir em alguma aplicação. Afinal, a inflação está alta e temos que pensar no futuro, não é?

Enfim, essas são algumas coisas que são possíveis de ter ou fazer apenas com essa "pequena" distorção no Orçamento. Mas claro, dá para se pensar em outro montão de coisas...

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